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A trepadeira na chuva de pipoca rosa  

A Trepadeira Na Chuva De Pipoca Rosa  

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Pra Carla Rodrigues, minha amiga,

Que me jogou a boia salva-vidas da tradução.

 

Esse texto é uma leitura, muito 171, claro…

Do novo livro de Rafael Haddock-Lobo

Os fantasmas da colônia

E, ao contrário do que o leitor pode pensar,

Ela não foi feita pra ele e nem, muito menos, pra ninguém…

 

Bem ao contrário, ela é um feitiço,

Um corte, duplo, claro:

A primeira facada, corta o luto

A segunda, faz todo mundo que precisa,

Nessa história, dar risada

Então, as facadas limpam o terreno pra santa Teresa D’Ávila passar, com liberdade.

 

 

o texto de Santa Teresa apresenta pontos de difícil elucidação. Alguns tradutores optam por torna-lo mais claro e direto do que realmente é.

 

 

Sabe aquela frase da Bíblia?

Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra.

Então, seu 7 traduziu ela pra mim assim:

Surtai e comunicai-vos, enchei o saco de quem quiserdes, MULHER!

 

Não se trata de um livro escrito com calma por uma religiosa confortavelmente estabelecida como autoridade espiritual.

 

Foi assim que começou essa escrita quando eu, apertada de madrugada pelo peso do meu coração solitário, pedi pro Zé ler e revisar o meu texto. Claro que eu não pedi assim, não. Não foi diretamente… Se fosse diretamente, o Zé, mais uma vez, teria se esquivado de escrever qualquer coisa comigo. Eu tive que ir lá, fingir que era uma conversa qualquer no telefone e, depois, roubar tudo que ele falou, pra engordar e significar o meu texto.

 

Obrigada, Zé.

De coração.

 

É um documento que brota ao mesmo tempo em que a santa está travando suas mais difíceis batalhas na reforma da Ordem Carmelita.

 

Eu não sei escrever nada, não.

Eu roubo mesmo…

Eu sou uma ladra.

 

Diante de uma experiência incomum – a experiência direta de Deus -, Santa Teresa demorou a entender o que estava acontecendo com ela.

 

Santo Jorge é o guarda da Lua

Sentinela da Estrela Guia

O dragão caiu morto na rua

Sob a lança do Santo Vigia

A Rainha chamou o soldado

Pelo chefe da cavalaria

Santo Jorge foi condecorado

Cavaleiro de Santa Maria

 

https://www.youtube.com/watch?v=ZCO_aioU30g

 

Ela não escreve, porém, por vontade própria.

 

_ Bom dia!

_ Bom dia, Zé…

_ Então, eu li o texto, achei todo muito bom. Mas, sinceramente, eu não consegui capturar… E pensei, também, que você tinha capturado um veneno ali no il faut bem[1] toucher, isso foi por conta de alguma coisa que você falou no início do texto.

_ Tá doido, você? Eu não sei nem pra pedir pra fazer xixi em francês, quem dirá capturar um veneno nessa língua. A única coisa que eu sei falar, em francês, é voulez vou coucher avec moi.

_ Sei…

_ Mas, vamos voltar pro texto. Como assim, não captou? Me explica, eu quero entender qual é o seu problema com o que eu escrevo. De verdade, eu quero entender… Porque eu fiquei puta meses por conta da sua crítica à minha escrita.

_ Não captei, ué… Eu tenho que captar tudo, por acaso? Eu sou o Zé… Não sou Deus, não. Eu não sou nem onisciente e, muito menos, onipotente[2]. Me parece que é um texto com muitos códigos. E eu não tenho, na minha mão, a chave de todos… Mas que crítica foi essa que eu te fiz, que eu não tô sabendo?

_ Você falou do meu outro texto… Que era confuso, grande… E que eu tava trazendo um homem pra falar do matriarcado. E que você não tinha entendido esse movimento…

_ Eu? Eu não, acho que você tá me confundindo, com outro Zé… Não foi o seu próprio Zé, não, aquele velho doidão de erva do Catimbó, quem te disse isso?

_ Não, não foi ele não, mas, calma. Eu só tô limpando o terreno com você. Foi uma ótima crítica, de verdade, toda a crítica que você vem me fazendo nesse processo em que, pelo menos nas minhas contas, você já negou Maria Madalena 3x. Vai vendo…

_ Eu jamais teria te falado isso. Sou muito falso pra falar isso…

_ Pois falou, pasme…

_ Se eu falei, então, eu fui muito verdadeiro. Mas, ainda assim, eu acho que você tá me confundindo com alguém. Porque eu não faço uma crítica honesta pra quase ninguém.

_  Bom, eu entendi a coisa sobre os códigos e, por fim, sobre esse ser um texto quase que totalmente cifrado. Então, eu vou limpar um pouco ele, olhar de novo… E tentar desenvolver melhor as coisas, pra ver se alguém entende o que eu tô escrevendo. Eu adorei essa introdução, sua e, de tudo, o que eu mais gostei foi a parte sobre o inimigo. Pra mim, ela é sutil feito um elefante…

_ Nãoooooo! Não esclarece nada no seu texto, não. A sua potência tá nisso, na confusão.

_ Mas os outros precisam entender, né? Talvez isso seja até educado, sempre, manter em mente a intenção de que um leitor, hipotético, entenda o que a gente tá dizendo.

_ Não sei não, Fernanda. A vida inteira eu li textos sem entender porra nenhuma. E sempre, de novo, aparece um ou outro assim… O bom mesmo é a gente escrever pra que não entendam a gente. Ou, pelo menos, pra que só um ou outro entenda.

_ Tô te entendendo…

_ Escrever é sempre pros nossos.

_ Sim, eu sei… E é muito divertido escrever assim. E, ao contrário do que parece, não é narcisismo. É sobrevivência…

_ Exatamente. O outro que se foda… Ele que vá buscar, no texto, o que precisar ou achar que é dele por direito. Eu não vou dar nada pra ninguém de mão beijada…

 

… para que se sancionem como legítimas – essa é a sua esperança.

 

De mão beijada você não me dá nada mesmo não, Zé. Mas eu, polaca, acabei de roubar tudo o que você me disse. Eu sei que você não vai me processar nem nada… Porque a última coisa no mundo que você é… É legalista.

 

E teme despertar as antipatias num país em que o papel da mulher não era de escritora ou Mestra.

 

Então, aqui, começa o que era o texto antes do Zé ler, com todas as alterações que ele sugeriu:

 

Cada vez mais, Carla, eu ouço o seu Emicida.

E não é que hoje, pra mal dos pecados (eu estou escrevendo esse texto pra você no antigo dia do trabalhador, antigo primeiro de abril), ou ontem, não sei bem, mas foi só nesse dia, que não cabe mais em nenhum calendário, finalmente, é que eu achei o seu Emicida cantando com o meu Wilson das Neves?

Eu acho ele tanto meu que, depois de ouvir Trepadeira mil vezes, no youtube, eu digitei Wilson das Neves da minha busca, entre os meus amigos, no WhatsApp, mas ele não tava lá… De repente, eu acho, pode ser porque ele nem é mais tão meu assim, ou nunca foi… Mas, de longe, eu gosto de ouvir a música dele. E, sinceramente, a essa altura da vida, eu não acho que ele não estivesse entre os meus amigos por acaso…  Eu gosto tanto de O Som Sagrado. Vai vendo, querida, essa quarentena tá deixando a gente doida, pensando muitas coisas, muitas mesmo, todas elas caindo na cabeça ao mesmo tempo. E, de todo jeito, a gente já tava muito doida antes… Não vamos mais morrer disso, né? A gente sabe, sim, sobreviver…

Mas, minha nossa, já faz muito tempo, muito tempo mesmo, que eu não coloco os pés fora da minha casa. E a rua tem sido, de muitas formas, um lugar aterrorizante pra mim…

 

Por isso, Santa Teresa escreve com cuidado. Afirma ser muito mais ignorante do que de fato é. O simples fato de saber ler desde menina já a poria acima da maior parte das mulheres, e dos homens, de seu tempo.

 

_ Você sabe que, quando eu não aguento mais traduzir a Butler, só a Valeska[3] salva… Da outra vez, eu tava dançando, muito animada, terminando o nosso livro… E aí você me mandou essa Karol Conka, com essa coisa de 100% feminista, mas eu tava chorando de alegria, por ter conseguido terminar aquela nossa revisão, sobre os gêneros que continuaram assombrando o nosso texto, eu amei fazer esse texto! Foi maravilhoso. Eu tava dançando Caçadoras de Piru, pulando, correndo, cantando. O gato adora, aliás, quando eu faço isso, e ele gosta mais ainda quando eu danço de vestido comprido, rodando. Essa é a nossa capoeira: eu danço e ele caça o meu vestido…Enfim, isso tudo é pra dizer que, nessa hora, de gozo profundo, quando você me mandou a sua Karol Conka, eu pensei: “Ah, não, cem por cento feminista não dá pra ser, cacete! Como alguém vai gozar, se for cem por cento feminista? Me deixa aqui, com a minha Valeska, caçando os meus pirus, foi o que pensei na hora…Eu tava muito brava, mesmo, de dar tanto sol e água, mas só ver crescer erva daninha.Você sabe que, quando eu não aguento mais traduzir a Butler, só a Valeska salva… E ela vai continuar me salvando, não tenho nenhuma dúvida.

 

https://www.youtube.com/watch?v=BInVXmIZ76A

 

Ora dirigindo-se a Deus, ora a seus confessores, ora a suas religiosas, a prosa de Santa Teresa mistura um tom de conversa de freira com a dicção dos romances de cavalaria.

 

_ Mas, não tem antagonismo, não. Ou, pelo menos, não aqui, entre nós… Nem em nada do que estamos plantando. Eu voltei no disco. Ouvi a Karol Conka de novo… Então, hoje, alguma coisa na música dela, sei lá porque, me trouxe aquele poema do Roberto Piva, que eu amo: Eu sou a pomba-gira do Absoluto. Eu ri, pensando, muito agradecida, em tudo o que você me ensinou, e me ensina. E, também, em como é luxuoso trabalhar com você. Você é chique como orquídeas, cabelos como samambaia e xaxim, flor. Você, e Karol Conka, são as pombas- giras da práxis. Não é isso, então, o que você me ensina, filosofia prática?

 

Santa Teresa é uma das primeiras mestras também da língua espanhola.

 

_ Você tem que ter uma tabela, pra cobrar as suas traduções, você não sabe cobrar. A minha filha faz assim, ela não tem orçamento individual, ela faz uma tabela.

_ Eu cobrei errado, né, a revisão? Que vergonha, meu Deus! Eu tinha pensado que eu podia trabalhar com um preço fixo, pra tudo, não sabia que preço eu botava… Existe uma tabela, né? Eu quis resolver meu problema trabalhando com UM NÚMERO SÓ. E, como São Gerônimo, que tem sincretismo com Xangô, é o padroeiro dos tradutores, eu passei a cobrar 12… Foi pra trabalhar com o número de Xangô.

_ Você me cobrou tão pouco pela sua tradução que, na hora em que você me mandou o preço da sua revisão, totalmente absurdo, eu nem tive coragem de te pedir pra diminuir…

_ Que maravilha. Então, são elas por elas. Nem eu te passei pra trás, nem você me passou pra trás.

_ Não, mas que você é uma péssima judia, uma péssima negociadora… Ah, isso você é! Agora eu vou voltar pro nosso trabalho, depois que eu resolver um problema, muito complexo, aqui no encanamento da minha casa… Entrou ar no cano e, fora isso, tudo tá um caos hoje.

_ Eu também vou voltar, mas, primeiro, vou lá no quarto ver se a minha mãe tá bem. Ela hoje inventou que ia infartar. Eu falei que não tem hospital e que, então, ela ia infartar ouvindo Aretha Franklin. Eu fiz uma limonada pra ela e cantei I say I little prayer for you… Ela riu, acho que não vai infartar, não. Falei pra ela também que se ela morrer, agora, vai ser lindo, porque eu enterro ela sozinha, em paz, cheia de flores, embaixo do pé de framboesa. Ela riu mais ainda e, depois, foi dormir um pouco… Acho que tá tudo bem.

_ Beijinhos, querida. Vamos lá!

 

Apesar de ela mesma se queixar de não ter tempo nem prazer em realizar tal tarefa, e que seria melhor se ocupar fiando ou fazendo tarefas domésticas em seu convento, as palavras vinham livremente pra ela.

 

_ E aquele baralho cigano, hein?

_ Eu acabei com ele. Fiz um buraco na horta, enterrei e plantei um pé de mirra em cima… vamos ver se, dali, agora, nasce alguma outra coisa.

 

As suas confissões, pedidas pelos seus confessores, foram de início dirigidas para aqueles amigos espirituais próximos, a quem ela se refere no Capítulo 16 como seus companheiros membros “dos Cinco”. Eram quatro, sim… E somam cinco, claro, porque tem o Zé! Vamos lá, deixa de ser burro, acompanha o raciocínio de Santa Teresa…

 

Você, Zé.

Não é carta fora do meu baralho, não.

 

Porque agora vejo o perigo que é conviver, na idade em que vão começar a se criar as virtudes, com pessoas que não percebem a vaidade do mundo e, antes, instigam entrar nele…

 

Você já reparou[4] que, agora que o calendário oficial quebrou de uma vez por todas, e só sobrou o calendário lunar, o Olubajé & A Primavera – FINALMENTE – andam juntos?

 “Precisamos escutar (…) escutar com um ouvido sem condições, escutar com os olhos, com o nariz, com o corpo, com o toque, portanto, escutar com os dedos. Diante disso, il faut bien toucher, e de muitas maneiras”.

 

Assim, fiquei com tanta alegria que estava quase fora de mim, ao fim dessa Oração.

 

Traduzir, abrir espaço para que, por meio, também, de alguma abertura no nosso texto o corpo da outra – e, por que não, o corpo do OUTRO? – possa, enfim entrar, mas não só entrar como estar, ficar, permanecer… Viver.

 

Essa é a minha militância: tipo Casa das Camélia.

Ou das Carmelitas.     

 

Amém.

 

Terminando, então, aquilo em que estava, digo que não é necessário aqui o consentimento dessa alma.

 

Não é necessário, no caso, nenhum consentimento do Zé…

 

Fim.

 

(Eu te falei que o outro texto tava cru. Fora isso, eu tava tentando advogar, nele, um sentido de amor que me machuca, e isso por pura culpa cristã… E eu precisava da sua faca emprestada era justamente pra cortar todo esse mal do meu coração porque a sua faca também corta Prisão de Amor…).

 

Sabe aquele verso da Bíblia?

 

Não julgueis, pra que não sejam julgados?

 

Então, não dá pra praticar, porque todo mundo, o tempo todo, julga.

 

Eu, por exemplo, sou uma vaca judiciosa. Por isso, eu escolhi três chaves pra sanar isso, na minha escrita, que é uma escrita de cura:

 

  1. Roubar, de quem eu quiser, o que eu quiser. E, além: O QUE EU PUDER.
  2. E, depois, expor. Primeiro, expor o meu roubo, ou o meu próprio crime. E, depois, o seu, o do outro, mas isso, e só, se essa exposição for uma consequência, necessária, para que eu cumpra com a tarefa revolucionária de expor a mim mesma. Porque eu, por fim, não desejo, de maneira alguma, expor ninguém… E, menos ainda, violentar, e menos ainda, violar…
  3. Me colocar, diante de todos, no lugar de ser julgada. Aqui, no espaço desse texto, como ladra e como puta, em outro, como uma mulher que apanha e, assim, infinitamente… Até que todos os juízos sobre quem sou eu, ou quem é o outro, desabem de uma vez por todas e não existam mais, no final da história, esperanças ou temores sobre ninguém… E então todos poderão, como na poesia mística de Rumi, citada por Freud no divã perdido de algum texto, respirar livres à luz da manhã:

 

TU O DEIXAS EXPIRAR NO NEGROR DA NOITE

E LIVRE RESPIRAS à LUZ DA MANHÃ

 

É ASSIM, PASMEM, QUE NASCE O AMOR.

Agora eu vou ali na esquina[5], escrever com outro homem – com o próximo -, pra entender qual ferramenta ele tem pra eu roubar… Ou simplesmente pegar emprestada e devolver depois, mais uma vez, muito agradecida.

Auf Wiedersehen!

 

_ Não, peraí… Tem uma coisa que não faz sentido nessa história, não faz sentido nenhum! Se a polaca, como diz lá em cima, tinha o Zé do Catimbó dela porque ela foi, então, pra rua, pra procurar outro Zé, um desconhecido completo, pra cortar a Prisão de Amor dela? Eu sou o leitor e achei essa história uma boa de uma merda…

 

_ Ah, não, para. Eu tô falando aqui agora, desse telefone espiritual, que nunca acaba a bateria, eu vou gritar do Céu no ouvido de vocês! A polaca, a safada, foi procurar outro Zé porque ela quis, ué… Vocês não entendem nada, nada mesmo, puta que pariu, faz séculos e já tá enchendo o meu saco, sobre desejo & mulher!

 

Foi assim que santa Teresa D’Ávila, puta da vida, bateu o telefone na cara de todo mundo e voltou pra sua cama onde Frei Betto, o seu marido, estava esperando por ela e, curioso, querendo saber que bafafá todo era aquele que a sua santa esposa tinha arrumado no telefone…

 

Amém!

 

(Segue a conversa-encruzilhada, entre a Polaca e o Zé):

 

_  A minha má fama , assim como a sua também é péssima, no fim das contas, as vezes define uma história inteira…

_ Sim, ela é uma cruz, Polaca. É um peso enorme pra carregar…

_ Eu acho que foi ela, um pouco, que acabou com o nosso amor, fora o resto todo das tragédias do mundo, antes dele ter alguma chance de começar.

_ Que pena, né?

_ É, sim.

 

A polaca e o Zé, separados por um abraço, também são os fantasmas da colônia.

 

 

 


 REFERÊNCIAS

Livro da Vida,

Santa Teresa

D’Ávila

Padroeira, junto com Santo Antônio, da cidade de Teresópolis

O livro, publicado pela Companhia das Letras, 2010, tem um prefácio lindo do Frei Betto.

Ele é uma declaração do amor-erótico do Frei pela sua santa…

 

https://www.youtube.com/watch?v=Jlitw9rlqg4

https://www.youtube.com/watch?v=W05v0B59K5s

 

 

 


NOTAS

* Trepadeira: https://www.youtube.com/watch?v=ShnL-2LeCj4

[1] Faz bem, sim, muito bem.

[2] Aqui, cabe uma nota, e quem me explicou isso foi Inaê D. A. Shrayva da C.R., porque eu também nunca tinha aberto os meus olhos pra isso… É uma nota sobre o falocentrismo. Como ela me explicou, com toda a rica filosofia dela, mulher que gosta de macho não é falocêntrica, não, tadinha… Deixa ela gostar de macho em paz. É porque uma coisa é um pau… E outra coisa é O Falo. O pau fica mole, tem direito ao descanso. O falo, não. Exu, então, pra mim, tem pau agora… Deixa essa ideia errada de que Exu tem falo pra lá. Eu creio, na minha religião polaca, que vez ou outra o pau de exu fica mole. É experiência de casa… O pau de Exu não é, por exemplo, como o cajado de Moisés. Então, quando um homem te chamar de falocêntrica, pelo simples fato de que você ama macho, vira pra ele diz: “mas, por acaso, o que você tem entre as pernas é o cajado de Moisés? Eu, hein… Seu doido Desvairado!”.

[3] Meu Deus, tadinha, olha só…  https://istoe.com.br/valeska-popozuda-enfrenta-crise-financeira-e-abandona-apartamento-diz-jornal/ Ah, não, pera! Ela já se recuperou, já deu a volta por cima… Olha direito porque essa notícia, a de que ela tava chafurdando na merda, é de 2019… E, de todo jeito, a gente não sabe mais o que é verdade, e o que é mentira… sobre a vida de ninguém, sobre ninguém…

[4] https://www.youtube.com/watch?v=a2u1D4i-C48

[5] Sabe que eu, com muito amor, não vou não? E, no fim das contas, eu não sou rueira, não… Eu tô cansada demais: eu sou caseira, do lar, a dona do meu fogão.

 

 

 

SOBRE A AUTORA

Fernanda Miguens

Fernanda Miguens é tradutora. Doutora em Filosofia pela UFRJ (2018) com tese sobre a tradução dos dogmas judaicos do leste-europeu para a realidade carioca, no século XIX, pelas mulheres judias apelidadas de polacas. Mestra em Filosofia pela UFRJ (2014), com dissertação sobre algumas das traduções/versões do que chamamos de “filosofia oriental” para o Ocidente. A tradução de Corpos em aliança e a política das ruas – notas sobre uma teoria performativa da assembleia, da filósofa Judith Butler, para a Editora Record e A metade que nunca foi contada – a escravidão e a construção do capitalismo norte-americano, do historiador Edward E. Baptist, para a editora Paz & Terra, são os seus trabalhos mais recentes.

Fonte: A trepadeira na chuva de pipoca rosa  

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