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CALL CONFERENCE

Publicado em: CALL CONFERENCE

 

De 27 de dezembro de 2021 a 31 de março de 2022.

Temos o prazer de anunciar a sexta edição da Conferência internacional KISMIF ‘Culturas DIY, Sustentabilidade e Ecossistemas Artísticos’ (KISMIF 2022) a ter lugar no Porto, em Portugal, entre 13 e 16 de julho de 2021. A submissão de resumos para esta Conferência está aberta a investigadores, académicos, ativistas e artistas a trabalhar em todas as áreas da sociologia, antropologia, história, economia cultural, estudos culturais, geografia, filosofia, planeamento urbano, média e disciplinas cognatas como design, ilustração, música popular, cinema e artes visuais e performativas. Esta iniciativa vem no seguimento do grande sucesso das cinco edições passadas da Conferência KISMIF (realizadas em 2014, 2015, 2016, 2018 e 2021) e junta uma comunidade internacional de investigadores, artistas e ativistas com enfoque em cenas musicais- artísticas alternativas e culturas do-it-yourself.

A Conferência KISMIF oferece um fórum único em que os participantes podem debater e partilhar informação acerca de culturas alternativas e práticas DIY por todo o mundo. O KISMIF tem como foco práticas culturais frequentemente opostas a formas de produção e mediação cultural mais convencionais, produzidas em massa e comodificadas. Em linha com isto está uma agência política anti-hegemónica girando em torno de políticas estéticas e de estilo de vida, tipicamente relacionadas com as culturas DIY. A KISMIF é a primeira, e, à data, única, Conferência no mundo que examina a teoria e a prática de culturas DIY como uma forma cada vez mais significativa de prática cultural num contexto global. A Conferência tem uma abordagem multi/transdisciplinar, aceitando contributos de académicos, artistas e ativistas envolvidos em todos os aspetos das cenas alternativas e das culturas DIY, e baseados em várias metodologias— quantitativas, qualitativas e análises pluri-metodológicas. O objetivo é debater não só música, mas também outros campos artísticos tais como cinema e vídeo, graffiti e arte de rua, teatro e artes performativas, literatura e poesia, rádio, programação e edição, design gráfico, ilustração, desenhos animados e banda desenhada.

Procurando dar resposta ao desejo reiterado por investigadores, artistas e ativistas presentes em edições anteriores da conferência KISMIF, a sexta KISMIF focar-se-á nos ‘Culturas DIY, Sustentabilidade e Ecossistemas Artísticos’. O mundo está atualmente a vivenciar um turbilhão de mudanças sociais. Paralelamente a questões de migração, de populismo e um ressurgimento do nacionalismo; deparamo-nos com antagonismos crescentes facilitados pela austeridade, deslocamentos, racismo, tensões de classe, crises económicas e alterações climáticas. Como tal, o mundo está a tornar-se um local cada vez mais precário – o que se veio visibilizar e amplificar com a COVID-19. Neste contexto, acreditamos que as culturas DIY—e os diversos processos e formas através dos quais funcionam—oferecem verdadeiros recursos e forças de esperança e de mudança para os ecossistemas artístico-musicais e sua correspondente sustentabilidade. Como forma e prática cultural, o DIY evoluiu dos seus inícios durante a era punk dos anos 1970 para se tornar uma matriz de cultura trans-local inovadora. No seu cerne está a vontade de esbater limites disciplinares e temáticos, desmistificar processos e fornecer espaços a vozes e comunidades marginalizadas, subalternas e diferentes do Norte ao Sul Global. Apesar de todas suas confrontações espinhosas, as práticas culturais do punk—o seu ethos DIY, redes de contactos, espaços e meios de comunicação (álbuns, estilos, fanzines, cinema, atuações, arte em vídeo, design e outras criatividades diversas) —facilitaram e permitiram a inclusividade e a agência. Embora não negligenciando ou esquecendo as suas origens, tal ethos pode ser evidenciado quando falamos de questões de mudança social contínua. Dentro da prática do DIY existe o potencial para derrubar hierarquias existentes, para responder a muitos desafios da atualidade e para nos relacionarmos construtivamente com diferenças sociais, territoriais, raciais, sexuais, de género e de saúde, entre outras.

O facto de o DIY ser uma componente vital do processo artístico é extremamente relevante. Na verdade, existem muitas práticas artísticas de cariz colaborativo e orientadas para a comunidade com origem em culturas DIY, tais como centros socioculturais, cenas/atmosferas urbanas e projetos artísticos profundamente imbricados nas comunidades locais. As artes nunca foram um mero produto comercial dos poderes hegemónicos; pelo contrário, são expressões, reflexões e interpretações que abrangem um vasto leque de significados. Têm sido sempre um meio de protesto e exploração semióticos; têm constantemente visto as coisas de maneira diferente e servido como um recurso à ação criativa. Podem ser discreta ou abertamente disruptivas; podem ser pacificadoras como distração ou funcionarem como meio de relação. No entanto, através da criatividade, as pessoas adquirem conhecimentos—encontram e expressam emoções e assumem controlo do seu meio envolvente. Propomo-nos a explorar culturas DIY e outras culturas alternativas com elas relacionadas construindo uma matriz para converter arte em ação como determinante para a sustentabilidade dos ecossistemas artístico-musicais-culturais contemporâneos. As culturas DIY são importantes para encontrar estratégias de ação, para ligar e unir comunidades e para fortalecer a resiliência face a mudanças sociais futuras. Através de investigação e práticas colaborativas pretendemos demonstrar formas inovadoras de fazer e cocriar. Mas também de resistir e tornar os contextos mais resilientes e sustentáveis. Usando exemplos de relacionamentos empíricos e artísticos com cenas DIY multigeracionais por todo o mundo, revelaremos como, ao longo dos (quase) últimos 50 anos, estas artes aparentemente ‘periféricas’ acumularam uma variedade de práticas para, simultaneamente, destacar e promover temas de democracia e justiça social e espacial; de defesa dos direitos humanos; de promoção de conteúdos decoloniais. Efetivamente, providenciam respostas multifacetadas aos desafios do nosso mundo, promovendo ideias seminais para um futuro melhor sobretudo neste contexto (ainda) pandémico.

Em 2022, o programa científico do KISMIF será novamente acompanhado por uma programação social e cultural diversa, caraterizada por uma série de eventos artísticos com especial foco na sustentabilidade de ecossistemas musicais-artísticos-culturais. O objetivo é fornecer uma experiência única em termos das culturas DIY transglobais e inclusivas. Simbolicamente, o primeiro dia da Conferência acontece 37 anos depois da realização do fundacional Live Aid, um evento musical que visava chamar a atenção e angariar fundos para fazer face a um desafio global premente do seu tempo. A Conferência KISMIF 2022 será precedida por uma Escola de Verão intitulada ‘Rebels with a Cause’ a 12 de julho de 2022 no Teatro Municipal do Porto- Rivoli. Esta escola de Verão oferecerá oportunidade a todos/as os/as interessados/as, incluindo participantes da Conferência, de assistirem a workshops dados por especialistas nestas áreas, nomeadamente dentro da abordagem das arts-based-research. Mais informação acerca da Escola de Verão será progressivamente disseminada no website da Conferência KISMIF: www.kismifconference.com.

 

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Fonte: CALL CONFERENCE
Feed: Centro de estudos Sociais – Eventos
Url: www.kismifconference.com
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