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Chamada aberta para a FotoCinema: O género atrás das câmaras

Publicado em: Chamada aberta para a FotoCinema: O género atrás das câmaras

O género atrás das câmaras. Mulheres fotógrafas europeias

Prazo: 30 de Setembro de 2024

Coordenadoras: Filomena Serra (IHC — NOVA FCSH / IN2PAST / Rede Nacional de Estudos Culturais) e Caterina Cucinotta (IHC — NOVA FCSH / IN2PAST / Universidad Rey Juan Carlos)

 

As mulheres participaram na arte da fotografia desde os seus inícios. Foram atraídas para o médium, profissional e pessoalmente, achando-o eficaz e ao seu alcance para ganhar a vida, bem como para expressar ideias e sentimentos. Recentes investigações mostraram que a fotografia ofereceu às mulheres menos barreiras do que as artes visuais tradicionais e, por vezes, o seu reconhecimento até foi mais rápido do que nas outras artes.

Anna Atkins (1799-1871), considerada a primeira fotógrafa do mundo utilizou o cianótipo para fins científicos e ilustrou o primeiro fotolivro. As famosas americanas, as irmãs Allen, tornaram-se conhecidas e abriram um estúdio em 1901. Muitas outras mulheres como Frances Benjamin Johnston (1864-1952), Dorothea Lange (1895-1965), Margaret Bourke-White (1904-1971), Diana Arbus (1923-1971), Annie Leibovitz (n. 1949) Shirin Neshat (n.1957), Francesca Woodman (1958-1981) ou Lorna Simpson (n. 1961), moldaram a sua identidade e o seu trabalho num contexto social e cultural adverso, quebrando tabus e estereótipos. Contudo, e como sugere Naomi Rosenblum (2010), apesar de numerosas, a investigação histórica tornou as mulheres-fotógrafas invisíveis.

Também Margarida Medeiros afirma que as mulheres fotógrafas não eram supostas entrarem na história e não entraram (2017). Nos últimos anos, as mulheres-fotógrafas dos países anglo-saxónicos e da Europa do Norte têm sido objecto de uma certa atenção. Já o mesmo não acontece com as mulheres fotógrafas da Europa do Sul, apesar de algumas exposições em Roma, Lisboa, São Paulo e Madrid terem mostrado fotógrafas como Letizia Battaglia (1935-2022), Esther Ferrer (n.1937), Carmen Calvo (n. 1950) e Isabel Muñoz (n. 1951). No Porto (2016), mostrou-se a pintora e fotógrafa Aurélia de Sousa (1866-1922), realizando-se actualmente sobre ela uma outra exposição (MNSR, 2023).

Teses universitárias e novos estudos tentam também superar amnésias. A Fundação Calouste Gulbenkian prepara em Lisboa para 2024, uma grande exposição sobre a jornalista Maria Lamas, que exibirá o seu trabalho fotográfico. E, em Março de 2023 decorreu no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, uma exposição de Luísa Ferreira (n. 1961). Contudo, as mulheres-fotógrafas amadoras e profissionais permanecem ainda na sombra.

Este número de FotoCinema pretende desocultar contribuições significativas de mulheres fotógrafas europeias, abrangendo especialmente a perspectiva de género, raça e classe, mas também do corpo e da sexualidade. Mulheres fotógrafas, conhecidas ou pouco conhecidas, bem como aquelas que nunca chegaram a ser faladas na arte da fotografia. Porém, também nos interessa as que estenderam as suas práticas fotográficas ao cinema, pois estas têm estado historicamente sub-representadas na profissão. Por isso, consideramos o alargamento das práticas fotográficas a outros media, nomeadamente formas de expressão que cruzem a imagem, o movimento e o som.

Assim, pretendemos trabalhos sobre fotógrafas amadoras ou profissionais, que têm utilizado a fotografia como meio de expressão ou, ainda, no trabalho em grandes estúdios de fotografia, de cinema, de televisão ou trabalho em vídeo. São igualmente bem-vindos os modos como as diferentes metodologias da fotografia foram utilizadas: desde o fotojornalismo à fotografia de guerra, fotografia cine-documental, fotografia de rua, fotografia de arquitectura, fotografia colonial e pós-colonial, still photography e
imagens em movimento.

Tópicos pretendidos:

– mulheres fotógrafas nos regimes autoritários;
– mulheres fotojornalistas de guerra;
– fotografia e cultura impressa;
– encontros multimediais e materialidades;
– contextos feministas, novas conceptualizações do medium e práticas fotográficas;
– materialidades da fotografía y género;
– mobilidade e migração coloniais;
– utilização de novas tecnologias e sua influência no passado e no presente;
– mulheres-fotógrafas no cinema, televisão e video; género, desigualdades na profissão,
poder e relações sociais;
– desafios aos estereótipos de beleza e feminilidade;
– a reestruturação do retrato, do auto-retrato e da representação da figura e da paisagem;
– exploração das identidades e vivências coloniais;
– questões em torno da sexualidade e dio empoderamento;
– novas leituras e contra-histórias.

 

Referências bibliográficas:

– Calado, Jorge, Au Féminin, Women Photographing Women 1849-2009. Paris, Centre Cuturel Calouste Gulbenkian,2009.
– Krasilovsky, Alexis, Women behind the camera: conversations with camera women. Westport, CT: Praeger Publishers, 1997.
– Marcoci, Roxana, Ourselves: Photographs by Women Artists. New York: MoMA, 2022.
– Margarida Medeiros: as mulheres fotógrafas “não era suposto entrarem na História. E não entraram”. Delas. 2017 (online).
– Raymond, Claire, Women Photographers and feminist aesthetics. New York: Routledge, 2017.
– Rosenblum, Naomi, A History of Women Photographers. New York, Abbeville Press, 2010, 3ª ed.
– Tedesco, Marina Cavalcanti, “Mulheres atrás das camaras: a presença feminina na direção da fotografia de longa-metragens ficcionais brasileiros”. Significação. Revista de Cultura Audiovisual, v. 43 (46), p. 47 – 68, 2016.
– Women Film Pioneers Project. https://wfpp.columbia.edu/essay/women-as-camera-operators-or-cranks/

 

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