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Livros de Viagens. Entre conhecimento do mundo, criação e dominação

Publicado em: Livros de Viagens. Entre conhecimento do mundo, criação e dominação

Os livros de viagens constituíram, ao longo de séculos, um género narrativo multifacetado onde a Literatura se cruza com a História, a Antropologia e a Ciência. Com maior ou menor pormenor descritivo, com mais ou menos efabulação, o viajante que faz o relato da sua experiência pretende dar a conhecer a um público interessado o que testemunhou na sua viagem. O advento da imprensa trouxe novas perspetivas para a divulgação dos livros de viagens que tinham circulado em cópias manuscritas.  Os «descobrimentos marítimos», o encontro e confronto com o Outro e o interesse em divulgar informação e criar conhecimento, resultaram num progressivo apuramento narrativo e representativo, estimulado pelo recurso a imagens, por forma a agradar ao prospetivo leitor. E também contribuíram para se criar outras formas de dominação (simbólica, sociocultural, territorial), que foram manejadas pelos Estados e certos sectores políticos e sociais como modo de afirmação, simbólica, política, geoestratégica, etc.

Os principais géneros de relatos reportam-se a viagens de peregrinação, de expansão religiosa, de conquista, de comércio, de exploração geográfica e científica, de lazer e turismo, não esquecendo as viagens ficcionais. Quanto aos formatos editoriais podemos considerar, entre outros, os diários, os guias, a correspondência epistolar e também os relatos científicos e as narrativas literárias de escritores-viajantes.  O advento das novas tecnologias abriu a porta aos “viajantes digitais” levando o conhecimento de lugares, culturas e sociedades a uma partilha ativa de experiências e imagens e, no limite, a novos modelos de livros de viagens.

Neste colóquio questiona-se a importância dos livros de viagens em distintas épocas e sociedades, a sua divulgação e receção por diversos públicos e o impacto do paradigma digital neste género literário.  A apresentação de estudos de caso será, ainda, uma oportunidade para debater conceitos, modelos narrativos e estereótipos.

Biblioteca Nacional de Portugal – Auditório | Entrada livre

20 de setembro

15:00 – 16:10

  • As “delícias” censuradas: um olhar sobre Espanha e Portugal no século XVIII | Fernanda Maria Campos (CHAM – Centro de Humanidades, NOVA FCSH)
  • Quem ler os livros que eu li”: Aproximações à biblioteca de Fernando Oliveira | Rui Loureiro (CHAM – Centro de Humanidades, NOVA FCSH)
  • Ir a Roma em 1750: impactos indeléveis de uma viagem | Maria Luísa Cabral (Investigadora independente)

16:30 – 17:40

  • A poética da viagem em Hélia Correia: um percurso sobre a memória pessoal coletiva e literária | Ana Raquel Fernandes (CEAUL/ULICES, Universidade Europeia)
  • Viagens e revoluções na narrativa de Alejo Carpentier | Isabel Araújo Branco (CHAM – Centro de Humanidades, NOVA FCSH)
  • Poesia de viagens (Lendo Arménio Vieira) | Elizabeth Olegário (CHAM – Centro de Humanidades, NOVA FCSH)
  • Escritor a confirmar

21 de setembro

15:00 – 16:10

  • O Oriente não é mais do que um “harém”: a viagem de Eça ao Egipto | Everton Machado (CEC/ULisboa)
  • Macau na Geopolítica e na Cultura Visual Vitorianas: Os (Guias dos) Panoramas de Leicester Square como Escrita de Viagens | Rogério Puga (CETAPS / CHAM – Centro de Humanidades, NOVA FCSH)
  • Flora Tristán na Praia, Cabo Verde | Joana Rodrigues (NOVA FCSH)

16:30 – 17:40

  • Retomar os passos, seguir a senda: os itinerários quinhentistas revisitados pelas narrativas de viagem publicadas hoje em Portugal | Catarina Nunes de Almeida (CEC/ULisboa)
  • Viagem de Desaprendizagem, Escuta Decolonial e Hospitalidade Incondicional em Alexandra Lucas Coelho” | Margarida Rendeiro (CHAM – Centro de Humanidades, NOVA FCSH)
  • Modelo(s) narrativo(s) e protagonismo leitor. Reflexões a partir de Jalan, Jalan: uma leitura do mundo de Afonso Cruz | Maria de Fátima Outeirinho (Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa / UP)

Grupo Informação, Leitura e Formas de Escrita e Grupo Estudos Transculturais, Literários e Pós-Coloniais, CHAM – Centro de Humanidades NOVA FCSH

Daniel Melo, Fernanda Maria Guedes de Campos e Margarida Rendeiro

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