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Magia Branca – os mitos coloniais e a infraestrutura emocional do Estado português vistos a partir de um manual de operações psicológicas

Publicado em: Magia Branca – os mitos coloniais e a infraestrutura emocional do Estado português vistos a partir de um manual de operações psicológicas


Moderação:  Cristiano Gianolla (CES)

Apresentação

No verão de 1962, Perry Anderson defendeu nas páginas da New Left Review que a “ideologia colonial portuguesa é, mais do que qualquer outra, um exercício de pura magia. É um imenso esforço para abolir diferenças étnicas, linguísticas, geográficas, económicas e sociais concretas no bojo de uma única unidade mística. O meio usado para atingir este fim é o clássico instrumento da magia: o encantamento”.  O estilo acutilante, acúmen político, e uma extraordinária capacidade de síntese de Anderson compensam a facilidade com que se deixa levar pela sua própria metáfora. Nesta sessão, irei partir das fichas de treino de ação psicológica do instrutor para oficiais do Governo do Distrito da Lunda (c.1960-69), Angola, para questionar se a capacidade que o Estado Novo tinha de mobilizar a população branca portuguesa para os sacrifícios necessários para a manutenção do império dependia realmente da repetição encantatória de mitos coloniais, ou, pelo contrário, de um aproveitamento estratégico da infraestrutura emocional do Estado português. Termino considerando as implicações da segunda hipótese se verificar. Será que desconstruir mitos basta para descolonizar Portugal?


Este ciclo de eventos faz parte do projeto UNPOP – Desmontar o Populismo: Comparando a formação de narrativas da emoção e os seus efeitos no comportamento político, que tem como objetivo principal explorar como as narrativas de emoção permitem uma análise mais profunda do modo como os fenómenos populistas se constituem e influenciam o comportamento político. Assim, o ciclo de eventos desenvolvido ao longo do projeto abordará diversas questões envolvendo o recente crescimento do populismo, com foco no papel das emoções – tanto aquelas tidas como negativas como raiva e medo, quanto as tidas como positivas como esperança e amor – no comportamento político.


Coordenado por Cristiano Gianolla e Lisete Mónico e acolhido institucionalmente pelo Centro de Estudos Sociais e pelo CINEICC – Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental – da Universidade de Coimbra, o projeto UNPOP conta com o financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P. (PTDC/CPO-CPO/3850/2020).

 


Nota biográfica

João Figueiredo é licenciado em Antropologia pela Faculdade de Ciências e doutorado em Altos Estudos em História, ramo Império, Política e Pós-Colonialismo pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (2016). Foi Investigador Auxiliar na NOVA School of Law da Universidade Nova de Lisboa entre 2019 e 2022, no âmbito do projeto “Legal Pluralism in the Portuguese Empire (18th to 20th centuries)”, e será fellow do Käte Hamburger Kolleg “Legal Unity and Pluralism” da Universidade de Münster em 2022-23. Investiga a transição entre o sistema escravocrata do antigo regime português e o racismo sistémico do século XX (c.1820-1930), abordando-a a partir de vários ângulos disciplinares, da história social à história do direito e à antropologia histórica. Enquanto cidadão e anti-racista militante envolveu-se em várias iniciativas e colaborou com NGOs como a DJASS e o SOS Racismo. 




Apoio:


Salão Brazil

 

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