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Mobilidade, corpo, género e sexualidade nas trajetórias de trabalhadoras do sexo travestis e mulheres trans migrantes em Lisboa

Publicado em: Mobilidade, corpo, género e sexualidade nas trajetórias de trabalhadoras do sexo travestis e mulheres trans migrantes em Lisboa


Moderadora: Gaia Giuliani (CES)

Enquadramento


Esta apresentação tem como objetivo descrever e discutir algumas das questõesteórico-metodológicas e analíticas do processo de construção da tese de doutoramento “Encarnando a europeia: biografias corporais, (i)mobilidades e subjetividades de trabalhadoras do sexo trans e travestis em Lisboa” desenvolvida no âmbito do Programa de Doutoramento Inter-universitário OpenSoc – Sociologia conhecimento para sociedades abertas e inclusivas, da Universidade de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Évora e Universidade do Algarve. A pesquisa buscou compreender a construção de biografias corporais e de patrimônios de disposições de trabalhadoras do sexo trans e travestis brasileiras em mobilidade para Portugal e/ou no continente europeu. Assim, por meio de entrevistas compreensivas e teoricamente orientado por uma Sociologia à escala individual e do corpo, analisei as disposições para a modificação corporal e de produção do Eu no decurso de trajetórias de vida que transitam por contextos sociais, geográficos e históricos distintos.


Esta problemática possibilitou a assunção de questionamentos sobre o fazer Ciências Sociais, principalmente, os relacionados a objetividade, neutralidade e posicionalidade em pesquisas envolvendo pessoas com vulnerabilidades sociais acrescidas e Direitos Humanos. Assim, procurei tencionar os discursos de verdade que foram produzidos pelo poder científico e que foram instrumentalizados na exploração, colonização e construção de discursos de abjeção contra mulheres, pessoas não brancas, não cisheteronormativas, não ocidentais e não burguesas.

Paralelamente, investiguei como a excorporação da identidade de gênero feminina visibiliza, desde cedo, no percurso de vida de travestis e mulheres trans, os dispositivos de normatização da cisheteronormatividade e as representações de abjeção associadas às corporalidades e subjetividades das interlocutoras. Neste sentido, comecei por apreender como a assunção social de marcadores corporais de feminilidade se entrelaça com as desigualdades de classe e suporte familiar, de racialização e etárias/geracionais que impactam na construção das biografias corporais e nos processos de subjetivação. A mobilidade para Europa é percebida como um dos pontos de viragem mais marcantes nos percursos de vida destas pessoas ao propiciar distintas experiências de sociabilidade na vida pública e nos campos prostitucionais. A mobilidade transnacional altera também os patrimônios de disposições que orientam os projetos de corpo subjacentes a diferentes expressões de gênero e de distintas práticas sexuais. A circulação pelo continente europeu colabora na elaboração de estratégias do trabalho do sexo que possibilitam a acumulação de capital econômico e a obtenção de uma posição de poder nos territórios do trabalho sexual. Os trânsitos corporais e geográficos evidenciam, portanto, processos de acumulação e conversão de capitais vários – de mobilidade, corporal, cultural, social e econômico – que viabilizam a aquisição de agência e autonomia nos percursos de vida e no trabalho sexual.

Assim, diferentes biografias corporais correspondem a diferentes tipos de (i)mobilidade para/pela Europa que, por sua vez, dão visibilidade a diferentes formas de desigualdade presentes no continente europeu. A acumulação de capital econômico proporcionada pelas diferentes experiências de (i)mobilidade também enseja diferentes biotecnologias de transformação do corpo convertíveis em formas desiguais de capital corporal, todas elas, contudo, convergindo para o ideal da encarnação da europeia. As dificuldades inerentes ao país de origem relativas às desigualdades de classe e/ou à transfobia estrutural e representações de abjeção sobre o corpo são, assim, ressignificadas ao longo das vivências na Europa, resultando na obtenção de um capital simbólico cujo reconhecimento passa, em larga medida, pela encarnação de recursos e símbolos conotados com as representações de glamour e luxo atribuídas à experiência europeia.



Nota biográfica


Emerson Pessoa é graduado em licenciatura (2010) e bacharelado (2011) em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá -Brasil (UEM). Mestre nesta mesma área e instituição (2013). Doutor (2020) pelo Programa Inter-universitário OpenSoc: Sociologia, conhecimento para as sociedades abertas e inclusivas (Universidade de Lisboa – UL, Universidade Nova de Lisboa – UNL, Universidade de Évora – UE e Universidade do Algarve – UAlg) reconhecido como Doutorado em Sociologia pela Universidade de Brasília – UnB (2022). É professor adjunto da Universidade Federal de Rondônia – UNIR, lotado no Departamento de Educação do Campo, campus Rolim de Moura. No momento, está requisitado pela Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) para exercer a função de Assessor Técnico da Coordenação-Geral de Defesa dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+. Têm experiências nas áreas de Antropologia e Sociologia. Suas pesquisas permeiam as discussões sobre corpos, gêneros, sexualidades, biotecnologias e processos de subjetivação. Vice-líder do Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Gêneros, Discursos e Comunicação na Amazônia Ocidental (HIBISCUS-UNIR). Participa do Laboratório de Estudos e Pesquisas em História, Moda e Cultura (La-Moda – UEM) e Life Research Group (ICS – ULisboa)


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Esta atividade realiza-se através da plataforma Zoom, sem inscrição obrigatória. No entanto, está limitada ao número de vagas disponíveis > https://zoom.us/j/82426609803 | ID: 824 2660 9803 | Senha: 817525


Agradecemos que todas/os as/os participantes mantenham o microfone silenciado até ao momento do debate. A/O anfitriã/ão da sessão reserva-se o direito de expulsão da/o participante que não respeite as normas da sala.

As atividades abertas dinamizadas em formato digital, como esta, não conferem declaração de participação uma vez que tal documento apenas será facultado em eventos que prevejam registo prévio e acesso controlado.

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