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Natal dos ausentes – a.muse.arte

Natal Dos Ausentes – A.muse.arte

No passado dia 9 de dezembro, Bansky revelou, na página do Instagram, uma obra alusiva à época de Natal, pintada no bairro de joalheiros em Birmingham, através de um vídeo acompanhado pela seguinte legenda:

“God bless Birmingham.
In the 20 minutes we filmed Ryan on this bench passers-by gave him a hot drink, two chocolate bars and a lighter – without him ever asking for anything.”

Na parede ao lado de um banco de rua, casa dos que não têm casa, não têm teto, não têm nada, Banksy desenhou duas renas presas às rédeas, transformando o banco no trenó do Pai Natal.

A street-art de Bansky, tanto mais provocatória quanto não se lhe conhece a identidade, é uma intervenção que, através das múltiplas leituras que proporciona, denuncia os dramas da nossa sociedade. A obra de Bansky confere visibilidade aos que habitualmente não são vistos e traz-nos as narrativas dos que não têm voz. Neste caso, ainda, dá-lhes uma identidade, ao nomear o “Ryan” e ao agradecer aos habitantes locais que espontaneamente lhe trouxeram uma bebida quente, chocolates e isqueiros durante as filmagens do pequeno vídeo.

Por outro lado, Bansky não mostra aqueles que vivem na rua, os sem abrigo, pobres e indigentes. Estão lá, implícitos e subjacentes, mas não os representa. Dá-lhes o contexto e insere-os numa alegoria visual e poética.

O mural de Bansky é uma boa pintura: a composição e a perspetiva constroem um tromp-l’oeil convincente, as figuras têm textura e volumetria. Bansky já firmou um estilo próprio e assegurou um espaço inevitável na história da arte contemporânea. Mais – mesmo que o não queira – também já se impôs no mercado da arte. No entanto, o que mais o distingue é a capacidade de descrever a realidade numa síntese visual de elevado impacto e eficácia. E, sobretudo, a forma sensível como o faz.

Obra de Bansky protegida
Birmingham, 2019
Foto: Anne-Marie Hayes / Express and Star, 2019

Não escapa, porém, à condição de arte de rua e, como tal, sujeita a todos os paradoxos. O Jewellery Quarter Development Trust de Birmigham considerou que o trabalho era demasiado importante para ficar sem proteção e, por isso, mandou cercar. Apesar disso, alguém conseguiu pular as barreiras e manchar o nariz das renas com tinta vermelha. Como se fossem bolas de Natal… 

Agora, o mural está protegido por placas de plástico transparente e as pessoas vão lá e tiram fotografias, mas também se sentam e seitam no banco. Todos querem ser indigentes e todos querem ser pais-natal.




Fonte: Natal dos ausentes – a.muse.arte

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