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NOVA DATA: Colóquio – Workshop LEA

NOVA DATA: Colóquio – Workshop LEA

Publicado em: NOVA DATA: Colóquio – Workshop LEA

O senso comum diz-nos que ler um texto literário é simplesmente e antes do mais da ordem do prazer (Compagnon 1998), pelo que a reabilitação da leitura literária se prenderia antes de mais com modalidades de recuperação e renovação quer do «plaisir du texte» (Barthes 1973), quer em geral dos prazeres da leitura. O próprio carácter com frequência lúdico, irónico e de citação da ficção contemporânea, que coloca muitas vezes em jogo “(…) um exterior que se quer literário, que apenas se dirige aos já leitores” (Demoulin 1997: 11), não restringe forçosamente esse prazer, antes o desenvolve e complexifica.

Por outro lado, num contexto fortemente marcado pela internet e pelas redes sociais, observamos a emergência e o desenvolvimento de novas modalidades de leitura ligadas ao surgimento de novos suportes digitais, que promovem a co-elaboração do texto e induzem uma lógica interativa com novas formas de sociabilidade leitora, com base em novas formas de partilha dos prazeres de ler.

Nicolas Ancion identifica modalidades formais de leitura literária: a leitura de prazer, ou seja, o reconhecimento e a recriação do sentido preexistente e indefinido do texto (crítica textual, recensões literárias ou pesquisa em literatura), a leitura como dever (instituição escolar) e de fruição (ato de leitura mais importante que o texto lido, cf. Pennac 1992). Mais ainda, entre prazer e fruição, existe agora toda uma gama de sensações (estados) relacionadas com o ato de ler e suas modalidades individuais ou sociais e com vários suportes de leitura nos quais há que atentar, e que podem até implicar uma não leitura inconfessada e inconfessável (Bayard 2007).

Também a tradução interlinguística, particularmente no contexto europeu, ou ainda a tradução intersemiótica e intermedial, difundem e ampliam esse prazer renovado e interdisciplinar da leitura literária, ou possibilitam outros modos de transmissão, suportes e cruzamentos (media, cinema, banda desenhada, etc.) (Müller 2006, Badir & Roelens 2007).

Especialmente desde o advento do digital, redefine-se e fortalece-se não apenas o caráter hedonista, mas também intersemiótico, interartístico e interdisciplinar do texto literário e da sua recepção, permitindo (ou mesmo exigindo) ler / ver / ouvir mais, talvez até dispersar-se, para apreender de outro modo. Ao fazer isso, a leitura está ligada a novas formas de sociabilidade e de comunidade, quer convencionais quer digitais exortando à partilha na prática da leitura, novas formas que passam por relações diferentes, e variadas, com os textos literários e os seus autores, bem como com o mundo da edição da crítica.

Neste contexto, convidamos os investigadores que a questão dos prazeres da leitura na Europa de hoje interessa e interpela a apresentar uma proposta para uma comunicação oral (20m) ou para uma sessão workshop (1h30) no âmbito dos seguintes eixos de abordagem:

  • Prazeres da leitura na Europa;
  • Políticas e iniciativas nacionais e internacionais para a promoção da leitura na Europa de hoje; Tradução e promoção da leitura da/na Europa;
  • Ler a literatura de um modo outro: leituras digitais, tradução intersemiótica / tradução intermedial;
  • Ler ao longo da vida (etapas da leitura);
  • Novas comunidades de leitores e sociabilidade.

Para mais informações consultar o website oficial. 

Fonte: NOVA DATA: Colóquio – Workshop LEA

ID Feed: Eventos 2020 – ILCML

Url (Fonte): ilcml.com

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