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Novo libreto “Materiais para o Fim do Mundo: extra série 2”

Novo Libreto “Materiais Para O Fim Do Mundo: Extra Série 2”

Publicado em: Novo libreto “Materiais para o Fim do Mundo: extra série 2”

Nota de Abertura

No dia 21 de Dezembro de 2012, a expectativa de um fim do mundo – tão espectacular quanto improvável – foi vivida à escala planetária. Entre terrores genuínos e um irónico ambiente de festa, a data fatídica passou sem incidentes, e profecias de novas datas para uma destruição do planeta começaram imediatamente a surgir.

O que é o fim do mundo? Um juízo universal da humanidade, conforme dizem os textos vetero- e neotestamentários? Uma catástrofe ecológica, global e iminente, provocada pelo homem? A alegoria de um mundo que perdeu as suas (meta)narrativas, vogando sem verdade e sem destino, após Auschwitz e Sarajevo? O pretexto para a sedução do espectáculo, entre filmes-catástrofe e um delicioso imaginário da destruição? Ou o confronto de cada qual com a sua morte própria? Por que nos fascina e aterroriza este tema milenar, nunca resolvido – e o que temos a ganhar com a exploração do nosso próprio terror?

Para estudar o imaginário do fim do mundo, o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa organiza, desde 2013, uma série de seminários abertos, coincidindo com os equinócios e os solstícios. Os libretos Materiais para o Fim do Mundo recolhem alguns ensaios apresentados nesses seminários, ou textos afins.

Ao longo destes anos, e ao mesmo tempo que participava nos Seminários do Fim do Mundo, o poeta e artista plástico Vítor Teves foi compondo pacientemente o seu próprio Apocalipse, a que chamou o Pequeno, ou o Branco. Trata-se de um caderno, preenchido com uma cópia manuscrita do Apocalipse joanino, uma glosa gráfica – de traços, sombras, movimentos – e algumas páginas em branco. O gesto do copista medieval confunde-se assim com a interpretação plástica dos fluxos do texto, suas presenças e ausências, afirmações e elipses, palimpsesto de formas desenhadas a tinta de caneta e mina de lápis: perene e frágil ao mesmo tempo. Este objecto híbrido, dividido entre a escrita, o desenho, talvez a partitura musical – termina com uma citação de Ed Rucha: «The Absolute End», e encena um recomeço, ao dispor na última página escrita o incipit do Livro da Génese. As páginas finais, em branco, prometem e suspendem esse novo texto, de um mundo recomeçado – que os leitores são então chamados a alucinar.

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