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O associativismo por vezes é entendido como tendo um papel menor ou mesmo irrelevante no dia a dia. Mas a verdade é que é a melhor e mais feroz ferramenta que temos para garantir o futuro da profissão.

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Tem sido uma relação construtiva, na medida em que me tem permitido relacionar-me com colegas de profissão que partilham comigo os mesmos objetivos e dificuldades…

Anabela Risso

Anabela Risso

Há quanto tempo é associado da BAD?
Tornei-me associada da BAD em 2023, mas acompanho o seu trabalho há alguns anos.

Em três adjetivos, como tem sido esta “relação “?
Tem sido uma relação construtiva, na medida em que me tem permitido relacionar-me com colegas de profissão que partilham comigo os mesmos objetivos e dificuldades; instrutiva, dado que possibilita conhecer outras experiências e adquirir novos conhecimentos através das redes criadas; e instigante, pois propícia ao entusiasmo pela profissão.

Numa frase, como convenceria alguém a associar-se à BAD?
O associativismo é a forma mais eficaz de criar redes de apoio entre os profissionais, de aprender e ensinar com as diferentes experiências de cada um dos associados e de marcar presença na sociedade enquanto um todo. Tornar-se associado é, por um lado, um ato que nos permite aprender e evoluir enquanto profissionais e por outro uma demonstração de luta e esperança pelo futuro da profissão.

Como associada, o que a BAD ainda não tem para lhe oferecer? 
A BAD tem desenvolvido um trabalho ímpar e essencial ao longo dos seus 50 anos, nos mais diversos campos. Há, no entanto, sempre algo por onde evoluir e caminho a ser trilhado. Creio que seria de considerar a possibilidade de a Associação desenvolver um sector jurídico, capaz de apoiar os profissionais em questões mais complexas como o assédio no local de trabalho ou as condições laborais e direitos públicos; bem como apostar mais veementemente no rejuvenescimento da profissão, lutando por mais e mais diferenciada formação para os jovens e pela criação de um projeto que conseguisse efetivamente ajudá-los a entrar no mercado de trabalho. As nossas instituições deparam-se com problemas cada vez maiores no que diz respeito aos recursos humanos e preocupa-me a possibilidade de, dentro de 10 a 20 anos, começarmos a ver algumas delas fechar, sobretudo no interior, por falta de colaboradores. Por fim, e sabendo de antemão o quão utópico isto poderá ser, considero que seria importante apostar de alguma forma na sensibilização da sociedade em geral (e consequentemente do sector político) para a existência e importância da nossa profissão, por forma a tentar colmatar as dificuldades e abandono que algumas das nossas instituições atravessam.

Que mensagem gostaria de deixar aos novos profissionais relativamente ao associativismo?
Como escreveu John Donne, Nenhum Homem é uma ilha. O associativismo por vezes é entendido como tendo um papel menor ou mesmo irrelevante no dia a dia. Mas a verdade é que é a melhor e mais feroz ferramenta que temos para garantir o futuro da profissão. É urgente mostrarmos que estamos aqui, que a profissão continua a existir e a ter futuro e que temos um papel útil e importante na sociedade. As nossas instituições são, ainda hoje, das instituições culturais mais igualitárias e imparciais que existem. E para as defendermos, a elas e a nós, temos de perceber que é importante fazê-lo sendo um continente, não uma ilha.

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