Publicado em: O fim da Melancolia | HH Magazine
morreu a Melancolia
numa manhã de vento
no pós-tempo
vestida de razão
molhou as pernas na dureza da vida
atravessando o campo da visão
morreu a Melancolia
era bela, a ninfa culta pós-moderna
vivia nos arquivos
nas telas, nas canções
lia as letras e se embebedava
tornando o dia uma intragável noite
sem futuro, sem rumo
passada, cansava de si
e se lançava aos demais como impressão plena
no altivo acúmulo sepulcrumênon de erudição
perdido estava o poeta
que engoliu a Melancolia e transmutou-se em gente
viu a grandeza da terra, dos céus, dos mares
e pôs-se a andar
na certeza de que o mundo é como folha d’água
e, emputecido, suspendeu a.Contação do tempo
cuspiu a Melancolia e foi viver, como os antigos, a Vida…
Crédito na imagem: Reprodução. Vincent van Gogh. Sower with Setting Sun (1888).
SOBRE O AUTOR
Mestrando em Letras e Bacharel em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Foi bolsista CNPq de Iniciação Científica no Departamento de História do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) da UFOP, onde graduou-se e pesquisou sobre a implementação do ensino de histórias indígenas nos cursos de formação superior em História das universidades públicas do Brasil, além de ter desenvolvido estudos a respeito da tese do “marco temporal” e sua implicação sobre Povos Indígenas em contexto de retomada identitária ou etnogênese. É membro do projeto de extensão (Re)Pensa Humanidade (PROEX-UFOP), voltado ao estudo e divulgação de conhecimentos ligados às histórias, culturas e intelectualidades indígenas. Se interessa por temas como as relações entre História e Memória, Histórias e Culturas Indígenas e Literatura Indígena Brasileira, tema de sua pesquisa de mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos da Linguagem da UFOP. É indígena do povo Puri e escritor, sendo autor de livros de contos e poesias (como Alfredo e Xipu), participando de duas coleções literárias do Selo Off Flip, além de possuir publicações em portais acadêmicos e culturais.