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percursos de investigação-ação de um coletivo feminista académico em extensão 

Publicado em: percursos de investigação-ação de um coletivo feminista académico em extensão 


A crescente procura por espaços de cuidado às mulheres em situação de violência demanda a invenção de alternativas teórico-metodológicas que incluem desde a revisão das ferramentas conceituais, até a urgência da leitura e acolhimento desse sintoma social emergente, o que inclui compreensão das práticas de violência perpetradas pelo próprio Estado. Os efeitos danosos que a crise sanitária de proporções planetárias traria, especialmente às mulheres, foi alertado, ainda em março de 2020, em documento que a ONU Mulheres dirigiu a gestores de países latino-americanos e caribenhos que sofreriam fortemente tal impacto.


Os motivos destacados pela ONU logo se tornariam evidentes: a sobrecarga do trabalho de cuidado no contexto doméstico e materno; as mulheres na linha de frente da atuação na pandemia (aproximadamente 70% do setor de saúde e mais de 90% como trabalhadoras domésticas); o incremento dos índices de violência patriarcal – potencializada em um contexto de estímulo às masculinidades tóxicas, como desemprego crescente e aumento no consumo problemático de álcool e outras drogas; e, ainda, a limitação de acesso a serviços de atendimento em uma rede pública que, no caso do Brasil, já vinha precarizada. Tais alertas alcançaram coletivos feministas na universidade como uma espécie de convocação: era preciso afinar nossos sentidos e preparar não somente nossas ferramentas teórico-conceituais, mas também nossos corpos, para acolher mulheres em situação de violência, nas singularidades e precariedades que a pandemia fazia aprofundar abruptamente.


Organizações feministas do sul do Brasil aliaram-se a duas unidades do Instituto de Psicologia da UFRGS para atender tal demanda e, a partir dela, estruturou-se o Programa “Clinica Feminista na Perspectiva da Interseccionalidade”. Sustentado em uma perspetiva transdisciplinar e alinhado à ética psicanalítica de “não ceder ao seu desejo”, saberes do campo da saúde coletiva, da filosofia trágica, sociologia, psicologia social e antropologia, são convocados para subsidiar o programa de extensão acadêmica que tem como ferramenta privilegiada de intervenção grupos online de escuta entre mulheres. Os modos com que tais práticas suplantaram os muros da instituição acadêmica, articularam metodologias de pesquisa-intervenção e vêm produzindo conhecimentos significativos aos coletivos de mulheres escutadas, às lideranças feministas e às trabalhadoras acadêmicas constitui parte da experiência de trabalho que aqui propomos compartilhar.


Objetivos:


  • Apresentar a construção de uma rede de atendimento psicossocial às mulheres em situação de violência orientada pela ética do feminismo interseccional;

  • Refletir acerca de como os marcadores sociais de gênero, raça e classe concorrem para o adoecimento e sofrimento psíquico das mulheres, assim como podem constituir-se em dispositivos de produção de saúde;

  • Debater a perspetiva metodológica que a pesquisa-intervenção oferece à articulação do tripé acadêmico ensino-pesquisa-extensão.

  • Fomentar intercâmbio científico e cultural no âmbito dos estudos feministas e processos investigativos em nível de pós-graduação entre Brasil e Portugal.




Sugestão de leituras:


Paulon, S. M.; Jacoby, M. C. S.; Barbosa, M. F.; Noguez, C. M. R.; De Oliveira, I.; De Oliveira., T. G. (2023) .Experimentações de uma Clínica Feminista na Perspectiva Interseccional: Efeitos de uma Nomeação. Revista Feminismos, [S. l.], v. 11, n. 1. DOI: 10.9771/rf.v11i1.45016. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/45016


Paulon, S. M., & Romagnoli, R. C. (2010). Pesquisa-intervenção e cartografia: melindres e meandros metodológicos. Estudos E Pesquisas Em Psicologia, 10(1), 85–102. https://doi.org/10.12957/epp.2010.9019 . Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revispsi/article/view/9019/0

Nota biográfica


Simone Mainieri Paulon | Psicóloga, Dra em Psicologia Clínica (PUCSP), com pós-doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN /Alma Mater Studiorum – Universidade de Bologna. Professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, onde é docente no PPG de Psicologia Social, coordenadora do Programa de Extensão “Clínica Feminista na Perspectiva da Interseccionalidade” e do Grupo INTERVIRES – Pesquisa-Intervenção em Políticas Públicas, Saúde Mental e Cuidado em Rede.Sócia da ONG Themis – Direitos Humanos e Justiça de Gênero e militante do Forum Gaúcho de Saúde Mental FGSM.


Atividade no âmbito do Programa de Doutoramento em Estudos Feministas (FLUC/CES)

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Esta atividade realiza-se através da plataforma Zoom, sem inscrição obrigatória. No entanto, está limitada ao número de vagas disponíveis >> https://videoconf-colibri.zoom.us/j/93557492119?pwd=bCtGbDBuK2VDZkJvamV2N3d4djhoZz09


Agradecemos que todas/os as/os participantes mantenham o microfone silenciado até ao momento do debate. A/O anfitriã/ão da sessão reserva-se o direito de expulsão da/o participante que não respeite as normas da sala.

As atividades abertas dinamizadas em formato digital, como esta, não conferem declaração de participação uma vez que tal documento apenas será facultado em eventos que prevejam registo prévio e acesso controlado.


 

Fonte: percursos de investigação-ação de um coletivo feminista académico em extensão 
Feed: Centro de estudos Sociais – Eventos
Url: www.ces.uc.pt
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