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Poesia-paródia

Poesia-paródia

 

Você é mais bonita do que essa merda enlameada

De papel de voto triste

Você é mais bonita que uma poça d’água

No caminho de Leskov

Num lugar (muito esquecido)

Você é mais bonita que uma cegonha

Que um filhote de cegonha

Que uma cegonha em cima do telhado de Gogol

Você é mais bonita do que os garfos dos camponeses

Rasgando os corações dos nazistas

Você é mais bonita do que o desamor de Stalin pela Natureza

O poço de alcatrão

Mais bonita que Maiakovski

Que a Igreja de Tolstói

Mais bonita que Tolstói

Que Lady Macbeth do distrito de Mtzensk

Em algum lugar a Sudoeste

Olha, você é quase tão bonita quanto a Krupskaia

Apaixonada pelo Lênin (coitado, um homem tão superestimado)

E quase tão bonita

Quanto as primeiras creches soviéticas

 

 


Créditos na imagem: Ferreira Gular (1970), Domínio público.

 

 

 

SOBRE O AUTOR

Fernanda Miguens

Fernanda Miguens é tradutora. Doutora em Filosofia pela UFRJ (2018) com tese sobre a tradução dos dogmas judaicos do leste-europeu para a realidade carioca, no século XIX, pelas mulheres judias apelidadas de polacas. Mestra em Filosofia pela UFRJ (2014), com dissertação sobre algumas das traduções/versões do que chamamos de “filosofia oriental” para o Ocidente. A tradução de Corpos em aliança e a política das ruas – notas sobre uma teoria performativa da assembleia, da filósofa Judith Butler, para a Editora Record e A metade que nunca foi contada – a escravidão e a construção do capitalismo norte-americano, do historiador Edward E. Baptist, para a editora Paz & Terra, são os seus trabalhos mais recentes.

Fonte: Poesia-paródia

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