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Tem sete cores sua cor, sete dias para a gente amar

Tem Sete Cores Sua Cor, Sete Dias Para A Gente Amar

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Os meus homens, agora, não tem mais, pra mim, um seu nome próprio…

 

“O homem de Oxumaré”, é assim que eu te chamo, seja falando comigo mesma ou contado a nossa história pra alguém.

 

E sem um nome próprio você também é, talvez, como a carta-imagem de Narciso nas histórias do meu Tarô Mitológico[1], uma superfície de água – um espelho – onde eu mergulho (quase) sem nenhuma pena.

 

(Essas coisas aqui embaixo eu tentei escrever quando tive Tempo pra esquecer o seu nome de guerra):

 

 

nós somos figuras mitológicas

 

eu e você

cada uma é do seu naipe

 

tempestade de raios

tromba d’água

 

eletrochoque

afogamento

 

terra e água

o chão com a sua lama

e o azul do céu

 

a emergência

em nós duas

tem a mesma urgência

com o formato de um cálice

 

Narciso lindo

Narciso jovem

Narciso tespiano

Narciso filho da Deusa-Rio

um narciso, pra minha flor

 

você é a minha criança

de dois sexos

 

um menino muito bonito

 

Mas, Tirésias
o tirano da vez
não permite que ele se veja

 

a identidade

a minha e a sua se perdem

em um passeio pela pracinha

 

lago

lago

largo é o meu

o seu reflexo

e a multidão de peixes e insetos

assustados

 

com a nossa beleza

sem vergonha

 

não me perturba a vaca da vizinha

o bem-te-vi

cateto e queixada não tem aqui

 

um homem água

um homem planta

um homem bicho

 

água da minha sede

Oyá se apaixonou

em um itã que não existe

 

então

eu não sei o final da história

você não sabe o final da história

nem a história

muito menos

acabou

 

eu não consigo mais pensar

ou não pensar em você

 

 

 


NOTAS

Tem sete cores sua cor, sete dias para a gente amar” – canto de Xangô: https://www.youtube.com/watch?v=akXgaK6qaZg

[1] https://www.astrocentro.com.br/blog/tarologia/significado-cartas-tarot-mitologico/

 

 

 

 


Créditos na imagem: Reprodução.

 

 

 

SOBRE O AUTOR

Fernanda Miguens

Fernanda Miguens é tradutora. Doutora em Filosofia pela UFRJ (2018) com tese sobre a tradução dos dogmas judaicos do leste-europeu para a realidade carioca, no século XIX, pelas mulheres judias apelidadas de polacas. Mestra em Filosofia pela UFRJ (2014), com dissertação sobre algumas das traduções/versões do que chamamos de “filosofia oriental” para o Ocidente. A tradução de Corpos em aliança e a política das ruas – notas sobre uma teoria performativa da assembleia, da filósofa Judith Butler, para a Editora Record e A metade que nunca foi contada – a escravidão e a construção do capitalismo norte-americano, do historiador Edward E. Baptist, para a editora Paz & Terra, são os seus trabalhos mais recentes.

Fonte: Tem sete cores sua cor, sete dias para a gente amar

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