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Um desafio do J. Paul Getty Museum em época de quarentena – a.muse.arte

Um Desafio Do J. Paul Getty Museum Em época De Quarentena – A.muse.arte

O isolmento social presdispõe à procura de atividades criativas para entreter os dias e de divertimentos caseiros que compensem a ansiedade do confinamento e a angústia perante o avolumar das notícias acerca de uma tragédia que atinge toda a humanidade.

Enquanto, por todo o mundo, os museus inevitavelmente encerrados se concentram em estratégias de comunicação com os seus públicos ausentes, disponibilizando visitas virtuais, novos discursos sobre as coleções expostas ou em reservas, descobrindo outras perspetivas e detalhes, o J. Paul Getty Museum lançou, no passado dia 25 de março, um desafio através da Twitter @GettyMuseum: “We challenge you to recreate a work of art with objects (and people) in your home.”

Tempos desafiantes tornam-se estimulantes e, em poucos dias, as redes sociais ficaram inundadas de obras de arte e respetivas recriações. As respostas variam entre do mais comovente intimismo ao mais irónico e hilariante e as obras escolhidas incluem os clássicos mais conhecidos, mas também obras contemporâneas e outras quase ignoradas. Umas fazem citações quase literais, outras são mais subtis, oscilando entre a ironia e a metáfora.

Parece fútil e inútil e, efetivamente, talvez seja. Mas, mesmo nestes tempos em que nos centramos no essencial, são benfazejos os momentos de fuga e de alheamento.

Talvez seja fútil e inútil, mas visto para lá da fina superfície do divertimento, a iniciativa do Paul Getty Museum é mais do que aquilo que aparenta. Cumpre o propósito de envolver um público alargado e que ultrapassa o grupo dos habituais frequentadores do espaço do museu ou o dos estudiosos da arte. Desperta-lhes a curiosidade e obriga-os a olhar e a reparar nos detalhes, quando “ver” é um passo primordial (e crucial) para o conhecimento empírico. Tal como, despertará a curiosidade de alguns para obras que não conheciam e trará alguns para o universo da arte, o que, considerando o vasto público das redes sociais, não será despiciendo.

A reconstrução da obra de arte através de objetos do quotidiano doméstico implica a desconstrução dos seus elementos compositivos, da procura de esquemas cromáticos, formas e texturas que se lhes assemelhem e da sua recomposição. Há, ao longo de todo o processo, uma forte dose de inspiração e criatividade, desde a seleção da obra à concretização da réplica, revelando-se uma enorme ambiguidade entre a recreação e a recriação.


Fonte: Um desafio do J. Paul Getty Museum em época de quarentena – a.muse.arte

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