Doutoramento Nº 31
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Realizam-se no próximo dia 20 de julho de 2026, pelas 14h15, na Sala José Anastácio da Cunha do Edifício da Matemática da Universidade de Coimbra, as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Mafalda Lalanda, candidata da décima edição do Programa, que teve início em 2020-2021. A candidata apresenta a tese «A Escuta como Leitura Aural: A Medialidade Literária do Audiolivro» (2026), orientada por Clara Keating (Universidade de Coimbra) e Manuel Portela (Universidade de Coimbra). A investigação foi financiada com a bolsa de doutoramento FCT UI/BD/150856/2021.
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O júri, nomeado por despacho reitoral de 25 de maio de 2026, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Osvaldo Manuel Silvestre (Professor Associado, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
Pedro Serra (Professor Catedrático, Universidade de Salamanca)
Madalena Oliveira (Professora Associada, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho)
Maria Sequeira Mendes (Professora Auxiliar com Agregação, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Clara Keating (Professora Associada, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Ricardo Namora (Professor Auxiliar Convidado, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Esta tese – a trigésima primeira do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se na linha de investigação dedicada ao estudo das relações entre vocalidade, auralidade e literatura (Vox Media: A Voz na Literatura). Mafalda Lalanda investiga possibilidade de concebermos a escuta como um modo de leitura, contextualizando-a na história dos média aurais e nas práticas contemporâneas de escuta de audiolivros.
Resumo
Apesar de recém-chegado aos estudos literários, o audiolivro não é uma novidade. Contudo, este artefacto de comunicação literária também já não é o mesmo. De facto, as metamorfoses do audiolivro (analógico e/ou digital) estão intimamente entrelaçadas com a história das tecnologias de mediação e reprodução do som e, em particular, da voz, desde o fonógrafo até ao streaming. Há, portanto, uma permanente mutação medial que torna o audiolivro num operador crítico particularmente produtivo para uma reflexão maior sobre as transformações do livro, mas também sobre a validade da escuta enquanto leitura literária. É neste enquadramento que a tese articula uma abordagem simultaneamente teórica e empírica, estruturada em três eixos fundamentais. O primeiro, centrado nos enigmas da auralidade, propõe a reformulação do conceito de leitura, explorando os modos como a escuta se inscreve na literatura, seja pela via dos olhos ou pela via dos ouvidos. O segundo, a partir do conceito de «acusmática» – escuta sem fonte visível –, atenta na especificidade das vozes sem corpo, isto é, vozes humanas e não-humanas que são tecnologicamente mediadas, assim como nota no modo como cada materialidade acusmática afeta e transforma a relação espaciotemporal do leitor que escuta (os casos da portabilidade e da navegação). Por fim, a partir de uma coleta de dados, o terceiro eixo desta investigação analisa o panorama nacional do mercado editorial do audiolivro procedendo a um levantamento de projetos acústico-editoriais digitais (1993-2023) e, ainda, apresentando o resultado de um estudo de campo exploratório, aplicado através de questionário, sobre práticas de leitura de audiolivros. Estes contributos permitem a articulação da dimensão empírica com as noções teóricas anteriormente desenvolvidas e exploradas.