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A FCT divulgou no dia 28 de Julho os resultados do Concurso de Projectos de IC&D…

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A FCT divulgou no dia 28 de Julho os resultados do Concurso de Projectos de IC&DT em Todos os Domínios Científicos 2020, e as Humanidades e, particularmente a área da História, saiu notoriamente prejudicada.

A questão não reside apenas no baixo número de projectos aprovados, mas também no desconhecimento total sobre os critérios que estão subjacentes à constituição dos painéis e mesmo à avaliação dos projectos. Situação que conduz a que seja difícil compreender como determinados projectos, cuja qualidade não se questiona, se enquadram na área da História.

Desde há muito que a comunidade académica pede à FCT mais transparência nos seus procedimentos de avaliação e mesmo uma maior participação nos processos de decisão.

Parece-nos que as nossas chamadas de atenção, muitas vezes, é verdade, circunscritas aos momentos de divulgação de resultados, não têm até agora surtido efeito e a FCT permanece alheia às reclamações dos investigadores e assume, cada vez mais, (e perigosamente, diríamos) a História como uma área periférica do saber.

O CIDEHUS junta-se, assim, ao coro de indignação pela forma como a FCT continua a tratar a área da História, e divulga um texto subscrito por dois colegas historiadores a propósito do concurso.

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𝗙𝗖𝗧 𝘃𝗼𝗹𝘁𝗮 𝗮 𝗱𝗲𝘀𝗺𝗲𝗿𝗲𝗰𝗲𝗿 𝗲 𝗮 𝗵𝘂𝗺𝗶𝗹𝗵𝗮𝗿 𝗮 𝗶𝗻𝘃𝗲𝘀𝘁𝗶𝗴𝗮çã𝗼 𝗲𝗺 𝗛𝗶𝘀𝘁ó𝗿𝗶𝗮 𝗲𝗺 𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝗮𝗹

Há cerca de um ano, espantados com os resultados do concurso de projetos FCT na área de História e Arqueologia do Concurso de Projetos de IC&DT em Todos os Domínios Científicos 2020, decidimos escrever uma carta aberta à Senhora Presidente da FCT. Alertámos para a gravidade da situação e para a principal razão que a justificava: a desajustada e enviesada constituição de um júri onde os principais domínios historiográficos ficavam ausentes. O alerta caiu em saco roto.

O júri do concurso deste ano manteve-se praticamente inalterado e os resultados não podiam ser diferentes. Excluindo os projetos ditos “exploratórios”, houve um único projeto de História aprovado.

Fica a impressão de que, para a FCT, a História não é mais do que uma área subsidiária da arqueologia, preferencialmente pre-histórica, dos estudos de cultura islâmica, das tecnologias de restauro ou das ciências ambientais.

Perante a manifesta impossibilidade de um júri especializado apenas em alguns domínios poder e saber avaliar a boa investigação histórica que se faz em instituições portuguesas, a consequência de sucessivos dislates avaliativos é a condenação à morte do financiamento público de uma área nobre das Humanidades e Ciências Sociais.

Os projetos aprovados no concurso deste ano serão certamente merecedores de financiamento, porventura noutras áreas científicas. Todavia, a escandalosa e perturbante escassez de projetos aprovados obriga a reconhecer que deixou de existir rigor e objetividade na avaliação criteriosa dos domínios de investigação histórica que melhor correspondem a objetivos de conhecimento do passado e de preservação e projeção da memória histórica.

Para a FCT, a História deixou de contar. Para esta área de saber, a FCT e a sua atual direção deixam uma triste e má memória.

José Luís Cardoso (Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa)
José Pedro Paiva (Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra)

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