“A fronteira entre investigação e inovação está cada vez mais difusa” • Blog FCCN
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Na sequência da entrevista com Rui Lopes Campos, publicamos agora o segundo momento desta série dedicada aos Keynote Speakers das Jornadas FCCN 2026, desta vez com António Murta.
Fundador, Managing Partner & CEO da Pathena, António Murta tem desenvolvido um percurso ligado ao investimento em tecnologia, inovação e ciências da vida, acompanhando projetos com elevado potencial de impacto. A sua intervenção, agendada para a manhã de 6 de maio, entre as 9h40 e as 10h05, com a sessão “A ponte entre a investigação e as empresas – exemplos do domínio de Medical AI”, terá como particular enfoque o impacto da relação entre investigação, inovação e inteligência artificial na área da saúde e na prática médica.
Na sua participação, António Murta procurará lançar uma reflexão sobre o equilíbrio entre investigação fundamental e investigação aplicada. Na sua perspetiva, ambas devem ser valorizadas, sublinhando que “é necessário que a investigação fundamental seja defendida, mas a aplicada também”. Nesse sentido, alerta que demasiadas vezes “a ciência aplicada é tratada como menor”, algo que considera desajustado face ao papel estratégico que desempenha.
O orador espera igualmente reforçar a consciência da comunidade académica e científica para a importância da aplicação do conhecimento, defendendo “maior awareness da comunidade” para o contributo da ciência aplicada na diferenciação sustentada, na competitividade das empresas e no fortalecimento dos próprios institutos de investigação.
Num momento marcado pelo arranque da nova AI² – Agência para a Investigação e Inovação –, António Murta deverá centrar parte da sua intervenção nos desafios ainda existentes entre produção científica, inovação e mercado. Em particular, pretende abordar “os gaps que temos na cadeia de valor”, bem como formas concretas de os ultrapassar e a importância estratégica destes pontos para o ecossistema nacional de inovação.
A inteligência artificial será outro dos temas centrais da keynote. Para António Murta, “há um antes e um depois do que estamos a viver”, dada a escala e o alcance das novas ferramentas atualmente disponíveis. Considera ainda que “na Medicina não há área de especialidade que não esteja a ser fortemente afectada por Classical AI e GenAI”, desde a triagem clínica à patologia, passando pela imagiologia médica, o diagnóstico e o treino médico contínuo, incluindo áreas como a cirurgia.
Segundo o responsável, esta transformação é igualmente visível na cadeia de valor da biotecnologia e da indústria farmacêutica, com efeitos esperados tanto na redução de custos de desenvolvimento de novos fármacos como na criação de uma medicina mais eficiente. Como refere, “vamos conseguir melhor combinar” uma abordagem simultaneamente mais escalável e mais personalizada.
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