skip to Main Content

Chamada aberta para a Aniki: As Crises da Exibição Cinematográf…

Publicado em: Chamada aberta para a Aniki: As Crises da Exibição Cinematográf…

As Crises da Exibição Cinematográfica

Prazo: 15 Janeiro 2023

A pandemia do COVID-19 levou o setor da exibição cinematográfica a uma crise generalizada em todo o mundo, uma vez que as salas de cinema foram forçadas a fechar suas portas temporária ou permanentemente, a alterar seus modos de exibição e parâmetros da experiência cinematográfica, e a transformar suas formas de operação comercial. Mas esta certamente não é a primeira crise na exibição de filmes e nem é a única que está em curso atualmente. Para os editores deste dossiê temático da Aniki, a pandemia serve de gancho para analisar o efeito transformador que as crises passadas e presentes tiveram na exibição de filmes como prática cultural, como conjunto de instituições e atores, e como campo de pesquisa nos estudos de cinema e mídia. Neste dossiê, colocamos em questão o próprio conceito de crise no estudo da exibição cinematográfica, assim como todas as demais crises que alteraram as práticas cinematográficas ao longo das décadas, como oportunidade para propormos a reflexão sobre uma ampla gama de impactos históricos e culturais. Nesse sentido, destacamos os trabalhos como os de Laura Baker (1999), Phil Hubbard (2003) e Gary D. Rhodes (2011), que estudaram riscos, perigos, vícios e violências no espaço da sala de exibição. Entretanto, além dessas questões, esperamos refletir sobre a crise em suas formas filosóficas, existenciais e disciplinares. Para este dossiê, desejamos ter uma abrangência internacional sobre essas questões verdadeiramente globais, mantendo-nos abertos a propostas que estudem o cinema a partir de qualquer localização geográfica.

A “morte do cinema” foi declarada muitas vezes nos cento e vinte anos que antecederam essa mais recente crise existencial. Ao propor este dossiê, não desejamos repetir narrativas sobre a suposta decadência da exibição cinematográfica ou do inevitável desaparecimento da sala de cinema. Ao invés disso, apoiamos a proposta deste dossiê na plena consciência da exibição de filmes como uma experiência cultural de longa data e que persistiu (e continua persistindo) em parte devido a sua mutabilidade, adaptabilidade e capacidade de enfrentar crises. Embora o circuito exibidor comercial seja heterogêneo e seu destino ainda esteja indeterminado, olhar para a exibição de filmes como algo maior do que a prática industrial altamente padronizada nos ajuda a ampliar nossa compreensão dos efeitos das crises históricas da exibição. Nisso, reconhecemos o trabalho de pesquisadores como Anat Helman (2003), Nicholas Balaisis (2014), Donna De Ville (2015), Solomon Waliaula (2018) e James Burns (2021), que chamaram a atenção para as práticas cinematográficas que muitas vezes tomam forma fora dos circuitos comerciais ou mesmo do circuito de festivais de cinema. Esse olhar não obscurece momentos de desaparecimento, decadência ou fracasso de determinados modos de ir ao cinema, mas nos permite apreender as crises como coincidentes com momentos de transição e adaptação, no lugar dos becos sem saída tão frequentemente previstos nas narrativas tradicionais sobre a sala de cinema.

Este momento de crise na exibição cinematográfica coincide ainda com crises também na historiografia do cinema. Em primeiro lugar, diz respeito ao acesso aos arquivos e à pesquisa. Desde o início da pandemia, no final de 2019, o acesso aos arquivos em todo mundo se equilibrou entre o impossível e o imprevisível. Isso vem gerando impacto global nos estudos históricos de cinema, incluindo nas pesquisas sobre a exibição cinematográfica e a ida ao cinema. O impacto desigual no suporte dado aos arquivos, públicos ou não, levou a crises locais, regionais ou nacionais para pesquisadores que necessitam consultar documentos históricos. Em segundo lugar, reconhecemos que outras crises dentro dos estudos sobre a exibição cinematográfica vêm de longa data. Reconhecidamente, pesquisas recentes como as feitas por estudiosos da “new cinema history” ampliaram o conhecimento sobre a história do cinema (Maltby, Biltereyst and Meers 2011; 2019). Entretanto, a arraigada centralidade dos Estados Unidos e da Europa na pesquisa histórica sobre a exibição de filmes, evidenciada pelo fato do maior número de teses, coletâneas e artigos acadêmicos serem escritos em inglês e/ou focados em questões relacionadas à exibição ou ao cinema na Europa ou na América do Norte, é um problema que exige mudança. Trabalhos de Luciana Corrêa de Araújo (2013), Laura Isabel Serna (2014), Nolwenn Mingant (2015), Lakshmi Srinivas (2016), Laura Fair (2018) e Jasmine Trice (2021) oferecem exemplos convincentes das enormes possibilidades da pesquisa cinematográfica global. Mesmo fora da Europa, dos Estados Unidos e do Canadá, no entanto, o inglês ainda é a língua franca no grande conjunto de pesquisas escritas sobre esse campo, como em textos da Austrália, Índia e África do Sul. Os trabalhos de Rodrigo Bouillet (2020), que aproxima a história da exibição cinematográfica dos estudos das relações étnico-raciais no Brasil, e de Diana Paladino (2018) e Pedro Butcher (2019), sobre as histórias da distribuição cinematográfica na América Latina, são exemplos de esforços emergentes nessa área, escritos em português ou espanhol, que desejamos estimular. Diante dessas questões geográficas, linguísticas e estruturais, buscamos artigos originais, de qualquer parte do mundo, que vejam nas crises disciplinares e globais uma oportunidade para refletir sobre novas questões, argumentos e perspectivas de pesquisa. Esperamos também aproveitar a experiência transnacional dos editores deste dossiê, oriundos do Brasil, Canadá e Estados Unido, e o espaço em uma revista multilíngue, para buscar novas pesquisas escritas em português, espanhol ou inglês. Para os editores do dossiê, as crises na exibição cinematográfica do passado, presente e futuro, assim como as crises no acesso aos arquivos e do persistente eurocentrismo são oportunidades, e não apenas desafios, para a orientação de novos rumos e novos modelos de pesquisa sobre o cinema.

Portanto, buscamos artigos originais sobre espaços de exibição e/em crise, tais como:

– Auto-cines ou ‘drive-ins’
– Cinemas de repertório ou de segunda linha
– Cinemas cult ou de arte
– Micro-cines e cinemas itinerantes ou provisórios
– Multiplexes, megaplexes, cinemas de shoppings e de galerias
– Cinemas populares ou “poeiras”
– Palácios de cinema
– Espaços de exibição nos subúrbios e no campo
– Segregação social e racial nas salas de exibição

Ou questões específicas relacionadas à sala de cinema, como:

– Concorrência com outras atividades de lazer
– Adaptação a crises (econômicas, sanitárias, sociais, etc.)
– Conflitos de interesses entre distribuidores e exibidores
– Acesso a conteúdo e janelas de exibição
– Tecnologias da exibição cinematográfica
– Filmes locais e cinemas locais
– Preservação de artefatos e de espaços físicos
– Adaptação de salas de exibição a múltiplos usos
– Raça, gênero e/ou classe nas práticas cinematográficas

Estamos abertos a propostas de pesquisas novas ou em curso que possam se encaixar em nosso dossiê. Mas, principalmente, buscamos uma ampla variedade de estudiosos e estudiosas que ajudem a indicar novos rumos e novas questões relacionadas à exibição de filmes no exato momento em que o público está redescobrindo a importância da exibição pública e coletiva, e quando a indústria do cinema e o circuito exibidor comercial estão discutindo o rumo a seguir. Como é que esse momento nos pode estimular a pensar, de forma mais ampla, sobre as crises do passado? Como é que o cenário atual nos pode fazer refletir sobre as maneiras como as atuais crises têm sido entendidas por jornalistas, executivos e estudiosos nos últimos três anos?

 

Este dossier temático é coordenado por Rafael de Luna Freire (Universidade Federal Fluminense, Brasil), Charlotte Orzel (Universidade da Califórnia, Santa Barbara, EUA), e Ross Melnick (Universidade da Califórnia, Santa Barbara, EUA).

Rafael de Luna Freire é professor associado no Departamento de Cinema e Vídeo e no Programa de Pós-graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense, em Niterói (Brasil), onde criou e coordena o Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual – LUPA. Atua como curador, pesquisador e preservador de filmes. É autor de diversos estudos sobre preservação audiovisual e história do cinema, incluindo Cinematographo em Nichteroy: história das salas de cinema de Niterói (2012). Seu último livro é O negócio do filme: a distribuição cinematográfica no Brasil, 1907-1915 (2022).

Charlotte Orzel é doutoranda e professora no Departamento de Estudos de Cinema e Mídia na Universidade da Califórnia, Santa Barbara (Estados Unidos), e possui mestrado em Estudos de Mídia na Universidade de Concordia, no Canadá. Sua pesquisa de doutorado analisa a recente história da exibição cinematográfica nos Estados Unidos e Canadá e o modo que mudanças na prática de exibição reflete mudanças na visão industrial sobre os espectadores. Já publicou sobre historiografia do cinema, IMAX, publicidade cinematográfica e a propriedade internacional de cadeias de cinema. Apresentou trabalhos em eventos da Society for Cinema and Media Studies, Canadian Communication Association, Film Studies Association of Canada e HoMER (History of Moviegoing, Exhibition and Reception).

Ross Melnick é professor de estudos de cinema e mídia na Universidade da Califórnia, Santa Barbara (Estados Unidos). Foi agraciado com bolsas dos programas The National Endowment for the Humanities (2015) e Academy Film Scholar (2017) para a pesquisa de seu livro, Hollywood’s Embassies: How Movie Theaters Projected American Power Around the World (Columbia University Press, 2022). É autor de American Showman: Samuel ‘Roxy’ Rothafel and the Birth of the Entertainment Industry (Columbia University Press, 2012), co-organizador de Rediscovering U.S. Newsfilm: Cinema, Television, and the Archive (AFI/Routledge, 2018), e co-fundador do sítio Cinema Treasures.

 

O prazo para submeter os artigos termina a 15 de Janeiro de 2023.

Os artigos recebidos serão sujeitos a um processo de seleção (pelos editores) e revisão cega por pares (por avaliadores externos). Os textos devem ter entre 6000 a 8000 palavras e incluir, em português e inglês (e ainda em espanhol, se for essa a língua do texto): um título; um resumo até 300 palavras; e um máximo de 6 palavras-chave.

Antes de submeter o seu artigo completo, consulte aqui as Políticas de Secção, as Instruções para Autores e a Política de Revisão por Pares.

Para submeter uma proposta, por favor, clique aqui.

Em caso de dúvida, contacte: aniki@aim.org.pt

 

This Post Has 0 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top