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Chamada aberta para a Aniki: Histórias enredadas do Cinema e da…

Publicado em: Chamada aberta para a Aniki: Histórias enredadas do Cinema e da…

Histórias enredadas do Cinema e da Antropologia

Prazo: 15 Janeiro 2022

Cinema na antropologia, antropologia no cinema: realidade / ficção; verdade / criatividade; realismo / subjetivismo; evidência / poíese? Estas e outras categorias antitéticas poderiam ser usadas para alimentar artificialmente uma dicotomia insustentável: ciência-arte. Muito se tem falado e escrito sobre a histórica relação entre o cinema e a antropologia, questionando-se uma divisão mais idealizada do que real, útil ou eficaz. É, afinal, uma relação que data do início do cinema e que coincide com a própria institucionalização da antropologia. Não serão as primeiras imagens dos irmãos Lumière filmes antropológicos? Ou a sequência de Alfred Haddon, filmada no Estreito de Torres (1898), um filme de ficção? E os filmes de Jean Rouch? Quão inscritos estão na história do cinema? E o que dizer da realidade documental crua da obra de Vittorio De Sica? Mais recentemente, vindo de uma longa tradição no cinema de etnoficção português, Pedro Costa tem vindo a propor um género híbrido no qual os cabo-verdianos se transformam em personagens cinematográficas. Muitos outros exemplos poderiam ser convocados para ilustrar o quão instável, mas também prolífica, tem sido a relação entre o cinema e a antropologia. Com este dossier, convidamos os autores a relembrar estas duas histórias comunicantes – a história do cinema e a história da antropologia. A pertinência de recuperar e desvelar essa história justifica-se também por novas perspectivas que têm surgido sobre os conceitos de evidência, objetividade, representação e o estatuto da verdade no conhecimento antropológico – assim como o cinema, o documentário e a indústria de imagens (e sons) são reinventados permanentemente por novas linguagens e novos desafios conceituais, metodológicos e éticos. O interesse súbito pelo realismo, a facticidade e a verdade (ex. como resposta às tendências pós-verdade na ciência e na ficção) tendem a refletir-se sobre soluções epistemológico-artísticas no filme e também aplicadas à etnografia ou antropologia. Portanto, considerando que a antropologia e o cinema se beneficiam mutuamente (embora nem sempre de forma harmoniosa), e que ambos contribuem um para o outro, convidamos os autores a escrever sobre os múltiplos ‘empréstimos’ do cinema à antropologia e da antropologia ao cinema. O âmbito é amplo, abrindo espaço para diferentes propostas argumentativas que podem focar-se em criações e estudos de caso do passado ou do presente. No entanto, ao glosar o título do filme de Don Alan Pennebaker sobre Bob Dylan (1967), estamos especialmente interessados numa revisão (“olhar para trás”) de filmes e documentários clássicos, apontando para uma história por contar. E estamos particularmente (mas não exclusivamente) interessados ​​em filmes de língua portuguesa que possam ser discutidos em relação a práticas etnográficas e a objetos e teorias antropológicas. Os artigos podem incluir a discussão dos próprios cineastas – suas intenções, opções, pensamentos e projetos (pessoais e coletivos).

Tópicos sugeridos:

– As virtudes e o potencial etnográfico dos filmes de ficção clássicos;
– novas leituras de documentários clássicos e dos ‘velhos mestres’ (por exemplo, Robert Flaherty, John Grierson, Jean Rouch, António Campos);
– contribuições do cinema antropológico para as dimensões formais e narrativas do cinema;
– tendências ensaísticas e (auto) biográficas do cinema etnográfico;
– desenvolvimentos tecnológicos e seus impactos nas estruturas narrativas;
– vidas, obras e legados do autor (para o cinema e a antropologia);
– a ética da representação e questões de autoria;
– a circulação de inovações formais, estilísticas e narrativas entre filmes etnográficos e de ficção (por exemplo, cinema direto, cinema digital);
– a participação/ o envolvimento de atores não profissionais (por exemplo, representando-se a si próprios);
– cenários realistas, histórias verdadeiras, autenticidade e a construção do ‘real’;
– a tradição do cinema de etnoficção português: continuidade e mudança.

 

Este Dossier Temático é coordenado por Catarina Alves Costa (CRIA — NOVA FCSH) e Humberto Martins (CRIA — UMinho / UTAD).

Catarina Alves Costa é realizadora e antropóloga visual. Realiza filmes desde 1992, ganhou vários prémios internacionais e publicou diversos trabalhos sobre filmes documentários e etnográficos. Atualmente é professora auxiliar de Cultura Visual no Departamento de Antropologia da Universidade Nova de Lisboa e investigadora no Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA). Trabalhou no Museu Etnográfico de Lisboa com o arquivo de filmes. Colabora em diversos programas de pós-graduação internacionais: Barcelona (Espanha), Universidade de São Paulo (Brasil) e Cidade do México. Recentemente, trabalhou como consultora científica para uma colecção da Cinemateca Portuguesa sobre filmes etnográficos africanos dirigidos pela etnóloga Margot Dias, nos anos 1950.

Humberto Martins é professor auxiliar da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Mestre em Antropologia Visual e Doutor em Antropologia Social (com uso de meios visuais), ambos pela Universidade de Manchester, tem sido programador em muitos festivais e mostras de cinema etnográfico. Tem publicado sobre antropologia visual e o uso de imagens na antropologia, um de seus principais interesses de investigação. Realizou dois filmes etnográficos.

 

O prazo para submeter os artigos termina a 15 de Janeiro de 2022.

Os artigos recebidos serão sujeitos a um processo de seleção (pelos editores) e revisão cega por pares (por avaliadores externos). Os textos devem ter entre 6000 a 8000 palavras e incluir, em português e inglês (e ainda em espanhol, se for essa a língua do texto): um título; um resumo até 300 palavras; e um máximo de 6 palavras-chave.

Antes de submeter o seu artigo completo, consulte aqui as Políticas de Secção, as Instruções para Autores e a Política de Revisão por Pares.

Para submeter uma proposta, por favor, clique aqui.

Em caso de dúvida, contacte: aniki@aim.org.pt

 

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