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Como a tecnologia aproxima estudantes e docentes no Ensino Superior • Blog FCCN

Publicado em: Como a tecnologia aproxima estudantes e docentes no Ensino Superior • Blog FCCN

Escrito por António Coucelo, Gestor do Serviço de Identidade Digital e Segurança da FCT, na unidade de serviços digitais FCCN

Setembro tem um som próprio. Depois de semanas de corredores desertos, voltam as enchentes, filas nos serviços e horários que ninguém percebe à primeira. Mas há um outro início de ano que acontece em paralelo e nunca aparece nas fotografias: o momento em que milhares de pessoas ativam a conta institucional, ligam o telemóvel à rede sem fios e entram pela primeira vez na plataforma de e-learning onde vão viver o semestre. Quando esse arranque corre bem, ninguém dá por ele.

Talvez valha a pena assentar à partida uma ideia: a distância entre estudantes e docentes não se mede em metros, mede-se em atrito. Mede-se no número de passos necessários para fazer uma pergunta, entregar um trabalho, receber uma correção ou encontrar o artigo referido na aula. Cada obstáculo, mais uma palavra-passe, mais um formulário, mais um pedido de acesso a uma plataforma qualquer, aumenta a distância entre quem ensina e quem aprende.

O melhor exemplo que me ocorre desta transformação é um em que já quase ninguém pensa. Quando iniciei funções na área de informática, no ensino superior, existir rede sem fios num anfiteatro era um extra simpático, daqueles que se mencionava com orgulho nas brochuras de candidatura, ao lado da cantina renovada. Hoje é infraestrutura crítica, no mesmo nível da eletricidade. Sem ela não há aula, não há avaliação, não há investigação, não há proximidade. É aqui que o eduroam faz aquilo que a tecnologia deve fazer, ou seja, desaparecer. A estudante que vai de Erasmus para Ljubljana e o investigador que apresenta uma comunicação em Trondheim ligam-se à rede local com as credenciais da sua própria instituição, sem pedir favores a ninguém e sem andar à cata de senhas escritas num papelinho, na receção.

A identidade digital segue a mesma lógica, ainda mais discretamente. A autenticação federada, no nosso caso o Autentica ID, resolve um problema que durante anos foi visto como inevitável, o de cada plataforma exigir a sua conta e o seu processo de registo. Hoje, com a conta institucional, o mesmo estudante entra na b-on para consultar literatura científica, no Colibri para a sessão de dúvidas das quintas-feiras, no Educast para rever a aula que não conseguiu acompanhar e no FileSender para enviar ao orientador aquele ficheiro enorme que nenhum serviço de correio eletrónico aceita. Uma chave para muitas portas. Parece um detalhe técnico, mas tem consequências pedagógicas concretas: cada minuto que um docente não gasta a resolver acessos é um minuto que pode investir na docência.

Depois há o e-learning, onde a tecnologia mostra a sua ambivalência. Uma plataforma pode ser uma prateleira digital, com os acetatos de sempre convertidos em PDF e a sebenta com nova roupagem. Funciona, ninguém se queixa formalmente no livro amarelo e, no fim do semestre, o balanço é que está lá tudo. Mas pode também ser outra coisa completamente diferente. Questionários formativos que avisam o estudante na terceira semana, e não na décima terceira, que não percebeu o conceito essencial da disciplina. Rubricas de avaliação publicadas antes do trabalho e não depois. Avaliação por pares, portefólios, discussões assíncronas que permitem ao estudante trabalhador participar às onze da noite. Indicadores de utilização que servem para perceber quem está a desaparecer e intervir antes de ser tarde. A diferença entre estes dois cenários não está na licença do software, está na conceção pedagógica e nos recursos para a implementar.

O mesmo raciocínio se aplica à Inteligência Artificial, tema que ocupa hoje todas as conversas de corredor e de conselho pedagógico. Se produzir texto passou a ser abundante e barato, o que se torna escasso é saber quem está do outro lado, com que percurso e com que compromisso. Não é por acaso que a identidade digital, as credenciais verificáveis e as micro-credenciais assinadas digitalmente ganharam de repente uma centralidade que há uns anos era assunto de meia dúzia de entusiastas em reuniões técnicas.

Nada disto se constrói de forma isolada, e é isso que gostava de sublinhar num arranque de ano letivo. Mais do que os serviços tecnológicos em si, vejo que o maior valor está na comunidade que existe em redor, nas reuniões técnicas, nas Jornadas e nos telefonemas entre colegas de instituições diferentes que partilham a mesma dor de cabeça e, muitas vezes, também a solução.

Ninguém sai de uma boa aula a comentar a boa qualidade do sinal sem fios ou a elegância do processo de autenticação, e é precisamente isso que se pretende. O valor destas infraestruturas mede-se nas conversas que tornaram possíveis e nas horas de proximidade entre quem ensina e a quem aprende.

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