Ecossistema de Editoração: Indexação, Infraestrutura Técnica e Futuro, entrevista a Carmino Antonio de Souza, vice-presidente da FAPESP
Pela equipe do periódico Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery
Imagem: Susan Q Yin via Unsplash.
A FAPESP apoia todo o ecossistema de editoração de periódicos científicos por meio do financiamento à infraestrutura de comunicação científica, com destaque para o apoio ao programa SciELO, uma das principais iniciativas mundiais de publicação em acesso aberto, fundamental às revistas brasileiras e da América Latina. O Brasil já demonstrou possuir capacidade científica para competir internacionalmente. Em diversas áreas do conhecimento, nossos grupos de pesquisa produzem ciência de excelência e participam das principais redes globais de colaboração. O desafio não está apenas na qualidade da pesquisa, mas em fortalecer o ecossistema editorial para que nossas revistas alcancem protagonismo compatível com essa produção científica. A entrevista abaixo, com os Professores Carmino Antonio de Souza (Vice-Presidente) e Niels Olsen Saraiva Câmara (Departamento Científico) reflete a posição institucional da Fapesp bem como os seus compromissos como importante agência de fomento à pesquisa brasileira.
A FAPESP é reconhecida mundialmente pelo apoio à pesquisa de excelência. Como a Fundação enxerga o papel dos periódicos científicos nacionais no fortalecimento do sistema de ciência, tecnologia e inovação do Brasil?
A FAPESP considera os periódicos científicos nacionais um componente estratégico da infraestrutura de pesquisa do país. Mais do que veículos de divulgação, eles são instrumentos essenciais para a qualificação da comunicação científica, a formação de pesquisadores, a disseminação do conhecimento e o fortalecimento da comunidade científica brasileira. Nesse contexto, a Fundação entende que periódicos nacionais de alta qualidade desempenham pelo menos cinco funções fundamentais. Primeiro, asseguram a circulação de conhecimento relevante para desafios científicos, tecnológicos e sociais de interesse do Brasil, muitas vezes pouco representados em periódicos internacionais. Segundo, contribuem para a formação de pesquisadores, oferecendo experiência em autoria, avaliação por pares e editoração científica. Terceiro, fortalecem comunidades científicas nacionais e regionais, promovendo redes de colaboração entre instituições. Quarto, ampliam a visibilidade internacional da produção científica brasileira quando adotam elevados padrões editoriais, internacionalização e acesso aberto. Por fim, favorecem a tradução do conhecimento para formuladores de políticas públicas, profissionais e setores produtivos.
A FAPESP tem historicamente apoiado essa agenda por meio do financiamento à infraestrutura de comunicação científica, com destaque para o apoio ao programa SciELO, uma das principais iniciativas mundiais de publicação em acesso aberto. Esse investimento contribuiu para elevar os padrões de qualidade editorial, profissionalizar a gestão dos periódicos e ampliar sua inserção internacional. Ao mesmo tempo, a Fundação reconhece que o cenário da publicação científica está em rápida transformação. Questões como ciência aberta, compartilhamento de dados, transparência dos processos de avaliação, uso responsável de inteligência artificial, integridade científica e sustentabilidade financeira dos modelos editoriais representam desafios que exigem constante atualização dos periódicos.
Nas linhas de fomento usuais da FAPESP, existe o apoio a publicação em periódicos de seletiva política editorial, incluindo os nacionais.
De que forma as agências de fomento podem contribuir para elevar a qualidade, a internacionalização e a sustentabilidade dos periódicos científicos brasileiros?
As agências de fomento têm um papel estratégico na consolidação dos periódicos científicos, pois a qualidade da comunicação científica é parte integrante da infraestrutura nacional de pesquisa. Apoiar apenas a produção do conhecimento não é suficiente; é igualmente importante fortalecer os mecanismos que garantem sua disseminação, avaliação e preservação. Esse apoio pode ocorrer em diferentes frentes. A primeira é o investimento na profissionalização editorial, permitindo que os periódicos adotem padrões internacionais de governança, avaliação por pares, gestão editorial, ética em pesquisa e integridade científica. Também é importante apoiar a modernização tecnológica das plataformas de publicação, incorporando ferramentas para ciência aberta, interoperabilidade, preservação digital, compartilhamento de dados e uso responsável de inteligência artificial.
A internacionalização constitui outro eixo fundamental. As agências podem estimular a participação de editores e avaliadores internacionais, ampliar a visibilidade dos periódicos em bases de dados globais, incentivar edições temáticas com parceiros estrangeiros e promover maior inserção dos periódicos do Brasil nas redes internacionais de comunicação científica. O objetivo não é apenas aumentar indicadores bibliométricos, mas integrar os periódicos do Brasil ao fluxo global da produção científica, preservando sua relevância para temas estratégicos do país. A FAPESP possui inúmeras modalidades de apoio a internacionalização como o Programa SPRINT, SPEC, Pesquisadores Visitantes, acordos de cooperação com as principais agências de fomento mundiais (NSF, DFG, ANR, NRFR, NSFR, entre outras), além das bolsas de estágio no exterior.
A sustentabilidade financeira também merece atenção. A publicação científica em acesso aberto gera benefícios para toda a sociedade, mas exige modelos de financiamento estáveis e transparentes. Nesse contexto, o apoio das agências pode contribuir para reduzir barreiras de publicação, evitar que os custos sejam transferidos integralmente aos autores e garantir a continuidade de periódicos que desempenham papel estratégico para determinadas áreas do conhecimento.
No caso da FAPESP, o apoio histórico ao SciELO demonstra que investir em infraestrutura de comunicação científica produz benefícios duradouros para todo o sistema de pesquisa. A continuidade desse compromisso, associada à busca permanente por qualidade, internacionalização, inovação e sustentabilidade, é essencial para que os periódicos científicos brasileiros ampliem sua relevância e contribuam cada vez mais para o avanço da ciência, da tecnologia e da inovação no Brasil
A ciência aberta, o compartilhamento de dados e a transparência da pesquisa vêm ganhando protagonismo. Como a FAPESP tem incentivado essas práticas e quais impactos espera para a comunicação científica?
A FAPESP entende que a ciência aberta representa uma evolução do modo como a pesquisa é conduzida, comunicada e compartilhada. Seu objetivo é tornar o processo científico mais transparente, reprodutível, colaborativo e capaz de acelerar a geração de conhecimento e sua aplicação em benefício da sociedade. Nesse contexto, a Fundação vem incorporando progressivamente os princípios da ciência aberta em suas políticas de fomento. Um exemplo é a exigência de Planos de Gestão de Dados (Data Management Plans) para diversas modalidades de apoio, estimulando os pesquisadores a planejar desde o início do projeto a organização, documentação, armazenamento, preservação e compartilhamento dos dados produzidos. A FAPESP também incentiva a adoção dos princípios FAIR — dados que sejam encontráveis (Findable), acessíveis (Accessible), interoperáveis (Interoperable) e reutilizáveis (Reusable) — respeitando sempre aspectos éticos, legais, de confidencialidade e de propriedade intelectual.
A Fundação também apoia iniciativas voltadas à infraestrutura da comunicação científica, como o SciELO, que tem desempenhado papel pioneiro na promoção do acesso aberto, da inovação editorial e da adoção de práticas alinhadas à ciência aberta. Essas iniciativas fortalecem a qualidade, a visibilidade e a integridade da produção científica brasileira.
Os impactos esperados são amplos. O compartilhamento responsável de dados e metodologias aumenta a reprodutibilidade dos resultados, favorece a reutilização de informações em novos estudos, reduz duplicações desnecessárias e estimula colaborações nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, amplia a transparência do processo científico, fortalece a confiança da sociedade na pesquisa e acelera a transformação do conhecimento em inovação, políticas públicas e benefícios sociais.
Para os periódicos científicos, esse movimento representa uma oportunidade de evolução. A incorporação de práticas de ciência aberta — como a publicação de conjuntos de dados, protocolos, códigos computacionais e informações sobre os processos de avaliação por pares, quando apropriado — contribui para aumentar a credibilidade, a qualidade e o impacto das publicações. Assim, a comunicação científica deixa de se limitar ao artigo final e passa a refletir, de forma mais completa, todo o ciclo de produção do conhecimento.
Na sua visão, quais serão os maiores desafios para o financiamento da pesquisa científica no Brasil na próxima década e como isso poderá impactar a produção e a publicação científica?
Os próximos dez anos serão decisivos para o fortalecimento do sistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação. O principal desafio não será apenas ampliar os recursos destinados à pesquisa, mas garantir que esses investimentos sejam previsíveis, estratégicos e capazes de responder a um ambiente científico cada vez mais complexo, interdisciplinar e internacional.
Um primeiro desafio é assegurar financiamento estável e de longo prazo. A pesquisa científica exige continuidade, especialmente em projetos estruturantes, infraestrutura de pesquisa e formação de recursos humanos. A previsibilidade permite que pesquisadores e instituições planejem agendas científicas ambiciosas, estabeleçam colaborações internacionais e mantenham ambientes de pesquisa competitivos.
Outro desafio será equilibrar o financiamento da pesquisa básica, que constitui a base da inovação futura, com investimentos em pesquisa orientada a desafios estratégicos, como saúde, mudanças climáticas, transição energética, inteligência artificial, agricultura sustentável e transformação digital. Esses objetivos são complementares e exigem mecanismos de fomento diversificados.
Também será fundamental ampliar a internacionalização da pesquisa brasileira. A ciência é cada vez mais colaborativa, e as agências de fomento terão papel importante na promoção de projetos multinacionais, mobilidade de pesquisadores, acesso a grandes infraestruturas científicas e participação em redes globais de pesquisa.
A rápida evolução das tecnologias digitais e da inteligência artificial representa outro desafio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade. Será necessário investir em infraestrutura computacional, gestão e compartilhamento de dados, capacitação de pesquisadores e atualização dos processos de avaliação científica, preservando sempre os princípios da integridade, da transparência e da qualidade da pesquisa.
Esses desafios terão reflexos diretos sobre a comunicação científica. Espera-se uma crescente valorização da ciência aberta, do compartilhamento de dados, da reprodutibilidade e de práticas editoriais mais transparentes. Os periódicos científicos deverão incorporar essas transformações, ao mesmo tempo em que enfrentarão questões relacionadas à sustentabilidade financeira, à qualidade da avaliação por pares e ao uso responsável de novas tecnologias.
Nesse cenário, as agências de fomento terão um papel ainda mais abrangente. Além de financiar projetos de pesquisa, deverão fortalecer toda a infraestrutura do sistema científico, incluindo recursos humanos, grandes equipamentos, redes colaborativas, plataformas de dados e a comunicação científica. O objetivo é criar um ambiente em que a produção de conhecimento de excelência seja acompanhada por mecanismos igualmente robustos para sua avaliação, disseminação, validação e transformação em benefícios para a sociedade.
A experiência da FAPESP demonstra que investimentos contínuos, avaliação rigorosa por mérito científico, apoio à internacionalização e fortalecimento da infraestrutura de pesquisa e comunicação científica constituem elementos essenciais para que o Brasil mantenha uma ciência competitiva e capaz de responder aos desafios científicos, tecnológicos e sociais das próximas décadas.
O Brasil possui grupos de pesquisa altamente competitivos. O que ainda falta para transformar esse potencial científico em maior protagonismo internacional dos nossos periódicos?
O Brasil já demonstrou que possui capacidade científica para competir internacionalmente. Em diversas áreas do conhecimento, nossos grupos de pesquisa produzem ciência de excelência e participam das principais redes globais de colaboração. O desafio, portanto, não está apenas na qualidade da pesquisa, mas em fortalecer o ecossistema editorial para que nossos periódicos alcancem protagonismo compatível com essa produção científica.
Esse protagonismo depende de um conjunto de fatores. O primeiro é a excelência editorial. Periódicos com processos rigorosos de avaliação por pares, decisões rápidas, transparência, ética e profissionalização tendem a atrair manuscritos de maior impacto, independentemente de sua origem geográfica.
Outro aspecto é a internacionalização. É importante ampliar a participação de editores, avaliadores e autores estrangeiros, promover chamadas temáticas internacionais e fortalecer a inserção dos periódicos em redes globais de pesquisa. O objetivo não é apenas publicar em inglês, mas tornar os periódicos espaços de referência para comunidades científicas internacionais.
Também é necessário consolidar modelos sustentáveis de financiamento. A manutenção de padrões elevados de qualidade editorial, inovação tecnológica e acesso aberto exige investimentos contínuos. Nesse sentido, a atuação coordenada das agências de fomento, universidades, sociedades científicas e instituições editoriais é fundamental para garantir a sustentabilidade dos periódicos.
Outro desafio é fortalecer a reputação internacional dos periódicos do Brasil. Isso depende da publicação consistente de trabalhos de alta qualidade, da adoção de boas práticas de ciência aberta, da transparência editorial e da capacidade de atrair pesquisas relevantes para questões científicas globais. A reputação é construída ao longo do tempo, por meio da confiança da comunidade científica.
Por fim, é importante que a avaliação da pesquisa valorize a qualidade intrínseca dos trabalhos e seu impacto científico e social, e não apenas indicadores associados ao local de publicação. O fortalecimento dos periódicos brasileiros passa também pelo reconhecimento de que periódicos nacionais de excelência desempenham papel estratégico na comunicação científica e na consolidação do sistema de ciência, tecnologia e inovação do país.
Como a FAPESP avalia o papel da inteligência artificial na pesquisa científica e na editoração de periódicos? Quais oportunidades e cuidados considera essenciais?
A FAPESP entende que a inteligência artificial representa uma das transformações mais importantes para a pesquisa científica nas últimas décadas. Seu potencial para acelerar descobertas, analisar grandes volumes de dados, apoiar a formulação de hipóteses e ampliar a eficiência da pesquisa é significativo. Da mesma forma, a IA pode contribuir para modernizar os processos editoriais e fortalecer a comunicação científica. Hoje, a agência possui uma regulamentação própria para uso de IA nos seus processos avaliativos e para guiar os assessores e usuários.
Na pesquisa, a inteligência artificial já vem sendo utilizada em áreas tão diversas quanto biologia, saúde, engenharia, ciências ambientais, astronomia e ciências sociais. Ferramentas baseadas em IA podem auxiliar na análise de dados complexos, modelagem, simulações, descoberta de novos materiais e fármacos, processamento de imagens e integração de grandes bases de dados. Essas capacidades tendem a tornar a pesquisa mais eficiente e interdisciplinar.
Na editoração científica, a IA oferece oportunidades para apoiar atividades como a triagem inicial de manuscritos, identificação de problemas de formatação, verificação de similaridade, auxílio na seleção de avaliadores, detecção de imagens manipuladas, apoio linguístico e automatização de tarefas administrativas. Isso permite que editores e avaliadores concentrem seus esforços na avaliação do mérito científico dos trabalhos.
Entretanto, essas oportunidades devem ser acompanhadas de princípios claros de responsabilidade. A inteligência artificial não substitui o julgamento científico nem a responsabilidade dos pesquisadores, avaliadores e editores. Questões como transparência no uso dessas ferramentas, proteção da confidencialidade dos manuscritos, respeito à propriedade intelectual, mitigação de vieses algorítmicos e preservação da integridade científica são fundamentais.
Também será importante que periódicos e instituições desenvolvam políticas claras sobre o uso da IA na elaboração de manuscritos, na avaliação por pares e nos processos editoriais. Os autores devem informar quando ferramentas de IA forem utilizadas de maneira substantiva, mantendo plena responsabilidade pelo conteúdo científico apresentado. Da mesma forma, avaliadores e editores devem utilizar essas ferramentas de forma criteriosa, preservando a confidencialidade dos manuscritos e assegurando que as decisões editoriais permaneçam fundamentadas na avaliação humana.
Que iniciativas poderiam aproximar ainda mais universidades, agências de fomento, sociedades científicas e periódicos para acelerar a produção de conhecimento de alto impacto?
A produção de conhecimento científico de alto impacto depende, cada vez mais, de um ecossistema integrado. Universidades, agências de fomento, sociedades científicas, periódicos e demais instituições do sistema de ciência, tecnologia e inovação desempenham papéis complementares e, quando atuam de forma coordenada, potencializam a qualidade, a visibilidade e o impacto da pesquisa.
Uma iniciativa importante é fortalecer fóruns permanentes de diálogo entre esses diferentes atores, permitindo discutir desafios comuns, compartilhar boas práticas e construir agendas estratégicas para áreas prioritárias do conhecimento. A coordenação entre as instituições favorece maior alinhamento entre políticas de financiamento, formação de recursos humanos, avaliação da pesquisa e comunicação científica.
Outro aspecto relevante é incentivar redes nacionais e internacionais de colaboração. Projetos multicêntricos, infraestrutura compartilhada, mobilidade de pesquisadores e chamadas conjuntas entre agências ampliam a capacidade de responder a desafios científicos complexos e aumentam a inserção internacional da pesquisa brasileira.
Também é importante aproximar periódicos científicos das estratégias de ciência aberta, integridade científica e gestão de dados. A adoção de padrões comuns de transparência, interoperabilidade e compartilhamento responsável de informações fortalece a confiabilidade da pesquisa e amplia sua capacidade de reutilização e impacto.
As sociedades científicas têm papel fundamental nesse processo. Elas articulam comunidades de pesquisa, promovem formação continuada, estabelecem boas práticas e frequentemente coordenam periódicos de referência em suas áreas. Uma maior integração entre sociedades, universidades e agências pode contribuir para fortalecer tanto a qualidade da pesquisa quanto a comunicação científica.
Outro eixo estratégico é a formação de pesquisadores. Capacitar estudantes e jovens cientistas em temas como redação científica, avaliação por pares, integridade em pesquisa, gestão de dados, ciência aberta e uso responsável da inteligência artificial contribui para elevar a qualidade de todo o sistema científico.
A FAPESP tem buscado fomentar esse ambiente colaborativo por meio do apoio à pesquisa de excelência, à internacionalização, às grandes redes de colaboração, às infraestruturas compartilhadas e à comunicação científica. A experiência demonstra que os maiores avanços ocorrem quando diferentes instituições atuam de maneira complementar, compartilhando recursos, competências e objetivos.
Que mensagem o senhor deixaria aos jovens pesquisadores sobre a importância de desenvolver pesquisas de excelência e contribuir para o fortalecimento da ciência brasileira?
Aos jovens pesquisadores, a principal mensagem é que a ciência é uma atividade de longo prazo, construída com curiosidade, rigor, perseverança e colaboração. A excelência científica não é resultado de um único trabalho ou de um único projeto, mas de uma trajetória baseada na busca contínua por perguntas relevantes, na qualidade metodológica e no compromisso com a integridade da pesquisa.
Vivemos um período em que os desafios científicos são cada vez mais complexos e interdisciplinares. Questões relacionadas à saúde, às mudanças climáticas, à segurança alimentar, à transição energética, à inteligência artificial e ao desenvolvimento sustentável exigem pesquisadores capazes de trabalhar em redes colaborativas, dialogar com diferentes áreas do conhecimento e atuar em um ambiente científico internacional.
Também é importante compreender que fazer ciência de excelência significa gerar conhecimento original que contribua para ampliar as fronteiras do conhecimento e, sempre que possível, produzir benefícios para a sociedade. O impacto da pesquisa não se mede apenas por publicações, mas também pela formação de recursos humanos, pela inovação, pela influência em políticas públicas, pela colaboração internacional e pela capacidade de responder a problemas relevantes.
A internacionalização, a ciência aberta, a integridade científica e o uso responsável de novas tecnologias, como a inteligência artificial, farão parte da rotina da próxima geração de pesquisadores. Desenvolver essas competências desde o início da carreira será cada vez mais importante para atuar em um sistema científico global e altamente conectado.
O Brasil dispõe de uma comunidade científica talentosa, instituições de excelência e agências de fomento reconhecidas internacionalmente. Aproveitar essas oportunidades exige planejamento, dedicação e uma visão de longo prazo para a construção da carreira científica. A ciência é um esforço coletivo, e cada nova geração tem a responsabilidade de ampliar o conhecimento produzido pelas gerações anteriores e formar aqueles que virão depois.
Sobre Carmino Antonio de Souza
É Professor Titular de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular do Departamento de Clínica Médica da FCM-UNICAMP desde 2001. Tem atuação docente contínua desde 1979, com ênfase em Onco-Hematologia, principalmente nos Linfomas Malignos, Leucemia Mieloide Crônica e Transplante de Medula Óssea. Recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” das Universidades de Mogi das Cruzes (1994) e da Faculdade de Medicina de Marília (2001). Recebeu dezenas de homenagens sendo os de maior relevância o prêmio de desempenho acadêmico “Zeferino Vaz” por cinco vezes (1987,1994,1997, 2005, 2016), medalha do mérito legislativo do Governo do Estado de São Paulo em 2023, 15 “títulos de cidadão” de vários municípios do Estado de São Paulo com destaque para o de Campinas em 2004; Título do Mérito Médico “Dr. Roberto Rocha Brito” em 2010, Título de Mérito Médico “Paes Leme” da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC) em 2015 e Brasão do Município de Campinas em 2020 (pelo enfrentamento da pandemia de COVID-19 como Secretário de Saúde). Exerceu funções e cargos acadêmicas e administrativas estratégicos ao longo de sua trajetória, incluindo Chefia da Disciplina de Hematologia e Hemoterapia, Direção da Divisão de Hematologia e Hemoterapia e, entre 1985 -1993 e 2006 – 2012 (14 anos), a Coordenação do Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemocentro da UNICAMP), consolidando o Centro como referência nacional em assistência, ensino e pesquisa clínica e translacional. Possui ampla experiência em coordenação de estudos clínicos nacionais e internacionais, particularmente em ensaios clínicos de fase II e III em leucemia mieloide crônica, linfomas e mieloma múltiplo, em colaboração com grupos cooperativos e casas farmacêuticas internacionais. Atuou como Coordenador ou Investigador Principal em múltiplos protocolos multicêntricos patrocinados por agências públicas e casas farmacêuticas. Pesquisador do CNPq 1A por 13 anos (2000-2013) quando abriu mão para exercer cargo de Secretário Municipal de Saúde de Campinas. Desempenhou papel relevante na gestão pública em saúde, tendo exercido a coordenação da Hemorrede do Estado de São Paulo (rede de Hematologia e Hemoterapia do Estado entre 1988 e 1993 quando passou a exercer o cargo de Secretário Estadual de Saúde (1993-1994). Foi Vice-Presidente do Conselho de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS) entre 1993-1994. Foi Secretário Municipal de Saúde de Campinas (2013–2020), Diretor (seis anos, 2015-2020) e Presidente do COSEMS-SP (dois anos, 2018-2020), Secretário Executivo da Secretaria Extraordinária de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde do Governo do Estado de São Paulo em 2022 e participação ativa no CONASEMS onde foi Diretor por seis anos (2015-2020). Atuou como Conselheiro da FAPESP desde 2016 até o presente momento (com um intervalo de menos de um ano – 2022), contribuindo para a formulação e avaliação de políticas públicas de fomento à pesquisa científica no Estado de São Paulo. Atualmente, é vice-presidente da FAPESP e Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Butantan (desde 2022). Integra inúmeras redes científicas internacionais e nacionais, incluindo grupos cooperativos em transplante de medula óssea, linfomas e mieloma múltiplo, com participação contínua em conselhos científicos, comissões técnicas e atividades editoriais.
Ecossistema de Editoração: Indexação, Infraestrutura Técnica e Futuro, entrevista a Carmino Antonio de Souza, vice-presidente da FAPESP [online]. SciELO em Perspectiva, 2026 [viewed ]. Available from: https://blog.scielo.org/blog/2026/08/14/ecossistema-de-editoracao-indexacao-infraestrutura-tecnica-e-futuro/
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