Inteligência Artificial no Ensino Superior e na Investigação em Portugal • Blog FCCN
Publicado em: Inteligência Artificial no Ensino Superior e na Investigação em Portugal • Blog FCCN
A taxa de adoção da IA generativa no sector da educação tornou-se a mais elevada de qualquer indústria — um ritmo pouco habitual para uma área que, historicamente, tem ficado atrás na adoção tecnológica. Esta adoção, tanto por estudantes como por investigadores e docentes, tem sido tão rápida que estamos a assistir a uma reinvenção histórica do ensino à escala global.
Neste contexto, a formação de docentes e a preparação das instituições tornaram-se fundamentais. Os métodos de avaliação têm de ser repensados, garantida a conformidade com o progresso tecnológico, e os estudantes precisam de ser apoiados no desenvolvimento simultâneo de competências em IA generativa e de pensamento crítico. A IA generativa é hoje um componente estrutural do crescimento económico, e aprender a trabalhar com ela, em qualquer área de estudo, deixou de ser opcional.
A evolução acelerada e extremamente competitiva das ferramentas de IA generativa, aliada à sua adoção generalizada, tem colocado uma pressão significativa sobre as instituições para que disponibilizem estes recursos a estudantes e docentes. A maioria das instituições não dispõe dos recursos especializados necessários para acompanhar a evolução do mercado e para integrar a IA de forma segura e eficaz. Algumas conseguem responder de forma individual, mas muitas não conseguem. A segurança dos dados e o risco de os modelos serem treinados com informação institucional sensível tornaram-se, por isso, preocupações centrais.
Este desafio não é um caso isolado. Um inquérito global da UNESCO, realizado junto de mais de 450 escolas e universidades, concluiu que menos de 10% dispõem de políticas formais ou orientações institucionais para a utilização da IA generativa. O fosso entre a adoção e a governação é, simultaneamente, significativo e urgente.
A IAedu foi criada precisamente para colmatar esta lacuna, oferecendo às instituições de ensino superior e de investigação um ambiente seguro onde podem ser utilizados múltiplos modelos de IA, com o objetivo de democratizar o acesso a estas ferramentas para todos os estudantes e docentes. A plataforma, ainda em fase beta, conta já com 25.000 utilizadores ativos e mais de 450.000 conversas. É atualizada de forma contínua para garantir a disponibilidade dos principais modelos do mercado, como o GPT da OpenAI e o Claude da Anthropic. Disponibiliza também acesso à AMALIA, o modelo de linguagem de grande escala (LLM) desenvolvido para o português europeu.
Dentro da plataforma, os docentes podem criar os seus próprios chatbots e disponibilizá-los aos estudantes como apoio ao estudo. Vários casos de uso já demonstram o potencial de metodologias de aprendizagem baseadas em casos, com chatbots concebidos para acompanhar os estudantes ao longo de uma unidade curricular específica. Para quem pretende ir mais além, o acesso via API permite que instituições e investigadores integrem estes modelos diretamente nas suas próprias ferramentas administrativas e projetos de desenvolvimento.
Com este acesso assegurado, o foco da IAedu está agora em reforçar a segurança, otimizar o desempenho e desenvolver novas funcionalidades para as instituições. As instituições têm, de facto, desempenhado um papel ativo e fundamental neste percurso através do seu feedback contínuo; é através do seu olhar que identificamos as necessidades reais do ensino superior em Portugal. Ao alinharmos o nosso desenvolvimento com estes contributos, garantimos que o nosso trabalho serve toda a comunidade.
A IAedu não é um produto fechado, mas sim uma iniciativa partilhada e em constante evolução, construída com uma mentalidade coletiva para o benefício de todos.
Texto: Fábio Cosme, FCCN
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