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Lançamento: A Travessia | HH Magazine

Publicado em: Lançamento: A Travessia | HH Magazine

 

Escritora Cléo Agbeni Martins lança em São Paulo livro abrangente sobre a complexidade do viver em que aborda questões raciais, religiosas, afetivas e de gênero

 

Há 47 anos, Cléo iniciou sua jornada na Religião dos Orixás, algo improvável para uma caucasiana de olhos claros. Sua luta contra o racismo religioso e defesa das religiões de matriz africana foi reconhecida pela Câmara dos Vereadores da Bahia, que acaba de entregar à autora a comenda Zumbi dos Palmares. Durante mais de 21 anos, viveu em Salvador, no Ilé Aşé Opô Afonjá, ao lado de Mãe Stella de Oxóssi.

 

“A Travessia” é o livro que a escritora Cléo Agbeni Martins lança no dia 9 de novembro, às 19 horas, na Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, em Pinheiros. A décima sexta  obra da autora aborda a morte como pano de fundo para tratar de questões muito presentes na cultura brasileira: o preconceito contra o negro, as religiões de origem africana, a mulher, a homossexualidade masculina ou feminina, os casamentos interraciais.

Julieta é a personagem principal. A idosa fluminense nascida em 1922 foi casada com Leninha há 55 anos. Dessa união, surgiu uma formação familiar complexa: interracial e homoafetiva; um filho adotivo negro, psiquiatra, casado com Marieta e pai de Madalena, iniciada para Iansã no Axé Opó Afonjá de Coelho da Rocha. A obra mescla personagens de ficção e outros que fazem parte da história de importantes terreiros de candomblé cariocas. Iyá Omindarewa, Iya Regina Lúcia, Pai Bira de Sàngó.

Somam-se à história o Carnaval carioca de 2020, Ariel, o gato diferente, a pandemia, mas também a superação das dificuldades enfrentadas pelos personagens, entre elas o preconceito e o bullying. Cada um ganha recortes marcantes de suas vidas e enriquecem sobremaneira a narrativa. Elza Soares, sua luta, resistência e arte e a saga do povo negro africano são introduzidos no contexto do livro. Além disso, os temidos e venerados Loas (divindades) da Morte do vodu haitiano: o Baron Samedi e a sua esposa e igual, Maman Brigitte, ajudam a compor um caleidoscópio cultural, de raças e povos que formam a nação brasileira, de espaços por eles demarcados em várias regiões do país, suas culturas, religiosidades e hábitos.

“A morte é o fio condutor, mas há várias travessias que são feitas. Uma delas é a luta contra o racismo no Brasil, a maneira como a comunidade negra é tratada no nosso país e todo o desrespeito que ela vem sofrendo ao longo de séculos”, afirma a escritora. “O Haiti é um exemplo disso. Foi a primeira república negra e é um dos países mais importantes na luta pela liberdade. No entanto, foi o que mais sofreu com o racismo político, cultural e religioso”, conclui Cleo, que acaba de receber a medalha Zumbi dos Palmares pela Câmara dos Vereadores da Bahia, em reconhecimento à sua luta contra o racismo religioso e à defesa da Religião dos Orixás. A iniciativa foi proposta pela vereadora Aladilce Souza, em 2019.

Ao inserir os deuses do vodu haitiano na trajetória de uma família de classe média do Rio de Janeiro, “A Travessia” propõe ainda um profundo mergulho em valores culturais e históricos que unem os dois países. Também busca acabar com o preconceito sobre o vodu, que nada tem a ver com magia negra. “Os filmes de Hollywood fizeram acreditar durante um longo tempo que é isso, mas vodu é uma religião afro-caribenha com muitos seguidores na Luisiana, nos Estados Unidos”, esclarece a autora.

Para Luiz Carlos Austregésilo Barbosa, Iperilodé do Ilê Axé Opô Afonjá, psiquiatra e mestre em medicina,  “A Travessia” se mostra como um conteúdo instigante para a reflexão sobre a existência possível do transcendental, sem perder o contato com as rotinas do dia a dia dos mortais na sociedade brasileira contemporânea, sob o pano de fundo das relações homoafetivas, dos conflitos capital/trabalho, das mesquinharias familiares, do machismo, das disputas políticas, das ditaduras e dos comunistas libertários, além, naturalmente, do Carnaval.

“Vale a pena cumprir essa “Travessia” com Cléo Agbeni Martins: pela orquestração das personagens, as estórias encaixadas, os artifícios didáticos de suporte ao leitor (tipo de letra, marcas tipográficas, notas de rodapé esclarecedoras ou de cunho historicista), os temas atuais e passíveis de crítica social que vão sendo discutidos, a abordagem das diferentes religiosidades e variantes da espiritualidade desprovida de falsos mitos e preconceitos”, recomenda Simone Caputo Gomes, professora sênior da Universidade de São Paulo (USP).

 

Sobre a autora

Cléo Agbeni Martins, de 67 anos, nasceu em 11 de junho de 1956, na cidade de São Paulo. Ela é filha do jornalista Itaboraí Martins (Feitosa de Oliveira Martins) e de Cleofe (Salatin) de Oliveira Martins, ambos falecidos.

Foi cronista no Jornal a Tarde por mais de 15 anos, sendo pioneira ao abordar o tema dos orixás na editoria de Religião.

Em parceria com o escritor Roberval Marinho, fundou o Alaiandê Xirê, o Festival Internacional de Alabês, Xicarangomas e Runtós, que reuniu músicos sacerdotes de várias regiões do Brasil, América do Norte e Caribe.

Cléo também se destacou como roteirista e autora do documentário premiado “Cidade das Mulheres” (2006), que recebeu os prêmios Jabuti de Ouro e BNDES.

Escreveu roteiros para a série “Orixás da Bahia” para o Correio da Bahia, entre outros trabalhos. Em 1983, tornou-se ialorişa do Ilê Axé Asiwaju, localizado em Santana de Parnaíba.

Além disso, Cléo é cantora em documentários já mencionados e compositora da trilha sonora do longa-metragem “A cidade das mulheres”, cujas canções são interpretadas por Elza Soares.

Cléo se formou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e é especializada em Direito do Trabalho. Também possui pós-graduação na mesma área. Durante décadas, atuou como advogada e, atualmente, exerce a advocacia de forma esporádica. Em 1983, fundou o escritório Advocacia Oliveira Martins.

Durante um longo período, também contribuiu com artigos para o Jornal A Gazeta do Sul, no Rio Grande do Sul.

Seu primeiro livro, “E daí aconteceu o encanto” (1988), foi escrito em coautoria com Mãe Stella. Ao longo de sua carreira, Cléo publicou muitos outros:

1. “E daí aconteceu o encanto” (1988) – em coautoria com Mãe Stella

2. Faraimará: O Caçador traz alegria: Mãe Stella, 60 anos de iniciação” (1999)

3. “Euá a Senhora das Possibilidades” (2001)

4. “Iroco o Orixá da Árvore e à Árvore Orixá” (2002) – em coautoria com Roberval Marinho

5. “Obá a amazona belicosa” (2002)

6. “Lineamentos da Religião dos Orixás – Memórias de Ternura” (2004) – artigos compilados com participação especial de Mãe Stella

7. “Ao Sabor de Oiá” (2006)

8. “Nanã – a senhora dos primórdios” (2008)

9. “A Cruz, a espada e o agogô” (2016)

10. “Sangue Verde – O Encanto das Folhas” (2016) – em coautoria com Ed Machado

11. “As Ayabás do Rei” (2017)

12. “Garibaldi, o Gaúcho Vendedor: Causos, Anjos e Peleias” (2018)

13. “O tempo de Xangô é agora e para sempre” (2019)

14. “Ao Sabor de Oyá” (2020)

15. “Asiwaju. Crônica do terreiro baiano em Santana de Parnaiba” (2021)

 

Ficha técnica:

A Travessia

Autora: Cléo Agbeni Martins

Páginas: 222

Tamanho: 16×23

Idioma: Português

Ano de Edição: 2023

Editora: Metanoia

Preço: R$ 50

À venda no site: A Travessia – Metanoia editora.

Fonte: Lançamento: A Travessia | HH Magazine
Feed: HH Magazine
Url: hhmagazine.com.br
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