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o exemplo que vem do Rijksmuseum – a.muse.arte

O Exemplo Que Vem Do Rijksmuseum – A.muse.arte

O Rijksmuseum, museu nacional holandês, foi fundado em 1800, em Haia, de onde foi transferido, em 1808, para Amsterdão, onde ficou provisoriamente instalado no palácio real, mudando em 1855 para a sua localização atual, num edifício construído especificamente para o efeito, segundo projeto de Pertus J.H. Cuypers. Concebido segundo o modelo francês do museu do Louvre, este museu insere-se no modelo da museologia oitocentista, pautada por princípios eurocêntricos, nacionalistas e, obviamente, colonialistas. Ao longo dos anos, o museu sofreu sucessivas alterações respondendo ao contínuo crescimento dos seus acervos. A renovação mais recente restabeleceu a estrutura original de Cuypers, integrando a coleções num único circuito cronológico que conta a história da arte e da história holandesas. Ao mesmo tempo, o museu tem vindo a renovar e a atualizar o discurso museológico e as narrativas do seu passado.

Imagem de divulgação da exposição: Gezicht op de plantage Cornelis Vriendschap in Suriname; met verklarende lijst [Vista da plantação de Cornelis Vriendschap no Suriname; com legenda explicativa]
Amsterdão, Rijksmuseum

Na programação do próximo ano, o museu anuncia a exposição “Slavery, an ehibition”, acerca da escravatura no período colonial holandês, entre os séculos XVII e XIX, assumindo com frontalidade esse passado esclavagista e propondo uma releitura objetiva do tema como ponto de partida para uma reflexão sobre a contemporaneidade, conforme afirma no texto de apresentação:

This exhibition testifies to the fact that slavery is an integral part of our history, not a dark page that can be simply turned and forgotten about. And that history is more recent than many people realize: going back just four or five generations you will find enslaved people and their enslavers. (Rijksmuseum, 2019)

Como museu nacional de arte e história, assume a obrigação de falar da escravatura como parte integrante e inalienável desse passado, mostrando os resultados da investigação académica que nos últimos anos tem vindo a abordar a história colonial europeia de forma plurifacetada, com uma reavaliação crítica das versões instituídas pelos colonizadores e integrando as perspetivas dos colonizados, desses milhões de pessoas que foram reduzidas ao estatuto de propriedade de outrem.

This exhibition does not attempt to offer a complete overview of the history of Dutch slavery. By taking a biographical approach, the museum wants to encourage museum visitors to reflect and to ask questions: How did enslaved people cope with their situation? Were there any voices of dissent? What did people in the Netherlands know about slavery?
The exhibition will shed light on the trading triangle linking Europe, Africa and the Americas; on the Indian Ocean region; on southern Africa; and on enslaved people who were brought to the Netherlands. (Id., ibid.)

Dito assim, parece simples e decisivo para a – cada vez mais difundida – intenção de descolonizar o museu.

Referência bibliográfica:
Rijksmuseum. (2019). Slavery, an ehibition. Acedido em:  https://www.rijksmuseum.nl/en/slavery-an-exhibition


Fonte: o exemplo que vem do Rijksmuseum – a.muse.arte

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