O Nuno Domingos traz-nos uma reflexão muito rica e importante sobre os diferente…
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O Nuno Domingos traz-nos uma reflexão muito rica e importante sobre os diferentes contornos do racismo, segregação e “evangelização” presentes no recrutamento de criadas e criados, em Lourenço Marques (hoje, Maputo).
“É atendendo à relação entre trabalho servil e sistema colonial que deve ser lido o artigo publicado no dia 3 de Dezembro de 1942 na primeira página do Evangelho, intitulado “Criadas de Servir em Lourenço Marques”. Ele é tanto uma expressão da matriz do pensamento colonial português como do processo concreto de construção de uma sociedade colonial, demonstrando como os missionários procuraram articular o universalismo cristão com uma conceção social evolucionista de teor racialista. Mas as suas representações reproduziam igualmente esquemas de classificação dominantes entre as elites sociais metropolitanas e que dividiam a sociedade em grupos ontologicamente separados, em que uns serviam e os outros eram servidos. Tal visão hierárquica do mundo foi atualizada no terreno colonial, passando a integrar populações ainda mais desqualificadas do que as classes populares metropolitanas, por serem consideradas pagãs, atrasadas, primitivas e provenientes de outras “raças” que não as europeias.”
Leiam-no aqui, Memórias de Servidão DHLAB NOVA FCSH:
https://projetos.dhlab.fcsh.unl.pt/s/memorias-de-servidao/item/67297
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