Prêmios Cabot 2026 reconhecem jornalistas que defendem a profissão em diferentes frentes.
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29 julho, 2026
Summary
A Medalha de Ouro Cabot 2026 será entregue aos jornalistas Daniel Coronell, Leila Guerriero, Kate Linthicum e Luz Mely Reyes, informou a Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia.
Neste ano, os Prêmios Maria Moors Cabot homenagearão jornalistas que, em diferentes frentes, defenderam e fortaleceram a profissão: da investigação sobre corrupção à reportagem narrativa, da cobertura internacional ao empreendedorismo jornalístico e à defesa da liberdade de imprensa.
Os vencedores da Medalha de Ouro Cabot 2026, que reconhece jornalistas e veículos de comunicação de destaque nas Américas, são Daniel Coronell (Colômbia e Estados Unidos), Leila Guerriero (Argentina), Kate Linthicum (Estados Unidos) e Luz Mely Reyes (Venezuela), informou, em comunicado divulgado em 29 de julho, a Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, responsável pela organização da premiação.
O júri também concedeu três menções especiais nesta edição dos prêmios: a Jan Martínez Ahrens, diretor do jornal espanhol El País; David Brooks, correspondente do jornal mexicano La Jornada; e Ricardo Trotti, ex-diretor executivo da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).
“Neste ano, o júri do Prêmio Cabot selecionou um grupo verdadeiramente extraordinário de jornalistas, com uma amplitude e uma profundidade excepcionais em sua cobertura das Américas”, disse Rosental Alves, presidente do júri e diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, que publica a LatAm Journalism Review. “Suas trajetórias estabelecem um padrão para jornalistas do mundo todo; investigações que tiveram impacto; uma escrita que ilumina nosso mundo; e uma coragem que nos inspira neste momento tão desafiador para a imprensa.”
Trabalho investigativo de excelência
O jornalismo investigativo ocupa um lugar central nas trajetórias dos quatro vencedores da Medalha de Ouro. No caso de Daniel Coronell, a Universidade de Columbia reconheceu seus quatro décadas de dedicação à investigação de corrupção, violações de direitos humanos e violência política, um trabalho que resultou em processos judiciais e que também o levou ao exílio após receber ameaças de morte.
De acordo com o comunicado da Universidade de Columbia, o júri afirmou que o trabalho de Coronell em veículos tanto na Colômbia quanto nos Estados Unidos “não apenas contribuiu para uma melhor compreensão dos assuntos públicos em toda a América, como também estabeleceu um novo padrão ao promover a prestação de contas e a defesa da verdade como princípios fundamentais do exercício do jornalismo”.
Por outro lado, o júri afirmou que o prêmio concedido a Leila Guerriero reafirma o jornalismo narrativo como ferramenta para compreender a região. Destacou que seu trabalho explorou temas como memória, desigualdade e violência por meio de reportagens e perfis construídos a partir de um “jornalismo rigoroso, paciente e revelador”.
“Desde 2002, [Guerriero] formou gerações de cronistas em oficinas e programas de mestrado por toda a região e pela Europa”, indicou o júri. “Em uma época que recompensa a velocidade acima da compreensão, Guerriero insiste em parar, ouvir e abraçar a complexidade.”
Os jornalistas Jan Martínez Ahrens, David Brooks e Ricardo Trotti receberam menções especiais nos Prêmios Cabot 2026. (Fotos: Cortesia da Universidade de Columbia)
A cobertura internacional é outro dos pilares do jornalismo reconhecidos neste ano.
A Universidade de Columbia destacou a cobertura de Kate Linthicum sobre a América Latina para o jornal norte-americano Los Angeles Times, caracterizada por conectar processos regionais, como o avanço do populismo, a erosão da liberdade de imprensa e a expansão das máfias do crime organizado violento, com seus efeitos nos Estados Unidos.
“Suas reportagens são cuidadosamente documentadas, apoiam-se em uma sólida rede de fontes e se destacam pela qualidade de sua escrita”, afirmou o júri. “Elas transportam os leitores e capturam algumas das grandes tendências da região.”
O reconhecimento a Luz Mely Reyes coloca em evidência outro desafio enfrentado atualmente por dezenas de redações na região: exercer o jornalismo em contextos autoritários. Além de destacar sua cobertura do chavismo e da crise venezuelana sob uma perspectiva centrada nas pessoas, o júri ressaltou sua liderança à frente do Efecto Cocuyo, um dos poucos veículos digitais independentes que continua operando com jornalistas em campo na Venezuela.
“O que distingue seu trabalho não é apenas sua perseverança ou sua coragem — qualidades que compartilha com muitos colegas que exercem o jornalismo em condições adversas —, mas algo mais difícil de definir: a capacidade de interpretar situações complexas e revelar, com precisão e empatia, a dimensão humana daqueles que as vivenciam”, afirmou o júri sobre Reyes, que está exilada desde 2023, após anos de ameaças por causa de seu trabalho.
Jan Martínez Ahrens foi distinguido com uma Menção Especial tanto por sua trajetória como repórter quanto por impulsionar a expansão do jornal espanhol El País na América Latina por meio de redações locais em diferentes países.
David Brooks também recebeu uma Menção Especial por mais de três décadas explicando a política e a sociedade norte-americanas como correspondente do jornal mexicano La Jornada, enquanto Ricardo Trotti foi reconhecido por seu trabalho à frente da SIP na documentação de ataques contra jornalistas, no combate à impunidade e na promoção da liberdade de imprensa no continente.
Os Prêmios Maria Moors Cabot foram criados em 1938 e são considerados as mais antigas premiações internacionais de jornalismo. Cada vencedor receberá uma medalha de ouro e um prêmio de US$ 5.000 durante uma cerimônia que será realizada em 8 de outubro na Universidade de Columbia, em Nova York.
Traduzido com ajuda de IA e revisado por Leonardo Coelho
Feed: LatAm Journalism Review by the Knight Center
Url: latamjournalismreview.org