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“Que faremos com estas Bibliotecas?”: a reconversão das bibliotecas públicas portuguesas : Notícia BAD

Publicado em: “Que faremos com estas Bibliotecas?”: a reconversão das bibliotecas públicas portuguesas : Notícia BAD

Na opinião pública, as Bibliotecas são muitas vezes apresentadas como lugares de silêncio e imobilismo, instituições passivas e burocráticas. É verdade que esta conceção em nada corresponde à realidade, mas sempre foi difícil passar a mensagem para a sociedade. Eis que a pandemia de covid-19 veio baralhar as conceções estabelecidas e evidenciar publicamente a capacidade de reação das Bibliotecas.

Quando o confinamento geral de 2020 foi decretado, as Bibliotecas encerraram. Perante o inesperado e o desconhecido, as instituições acataram as indicações sem protesto. Por uns dias, apenas.

Rapidamente se instalou o desconforto. Uma Biblioteca não abandona os seus leitores. Uma Biblioteca não vira as costas em tempo de crise. Uma Biblioteca nunca se conforma e arranja sempre forma de chegar à comunidade que justifica a sua existência. Na doença, as Bibliotecas escolheram ser terapia. Na tristeza decorrente da solidão e do isolamento, as Bibliotecas escolheram ser companhia. Na pobreza que emergiu de uma sociedade paralisada, as Bibliotecas escolheram ser parte da solução.

Os Bibliotecários foram confrontados com a necessidade de se reinventarem, de reconverter todas as suas aprendizagens e adquirir novas competências. O mundo mudou de forma drástica e abrupta, e as Bibliotecas, sempre na linha da frente da adaptação tecnológica, não viraram a cara à mudança.

Não foi fácil, não é fácil. A conceção de uma Biblioteca está fortemente enraizada no espaço físico. A Biblioteca é “O lugar”, o espaço aonde os leitores vão e estão, onde se realizam atividades de promoção da leitura, de divulgação cultural ou de acesso ao conhecimento. A desmaterialização desta noção parecia irrealizável.

E, no entanto, aconteceu. Rapidamente os Bibliotecários mudaram o foco para o serviço prestado: neste contexto, o que é possível fazer?

Um pouco por todo o país, várias Bibliotecas desenvolveram estratégias que lhes permitissem manter a proximidade das populações:

  • Criaram atividades interativas online, desde horas do conto a debates temáticos, de webinars a espetáculos, de exposições virtuais a clubes de leitura;
  • Conceberam e produziram novos canais de comunicação: criaram ou desenvolveram páginas nas redes sociais, adaptaram a mensagem aos novos ambientes digitais, descomplicaram o diálogo com os seus utilizadores;
  • Implementaram novos procedimentos de inscrição, diminuindo a burocracia e agilizando procedimentos;
  • Inauguraram novas modalidades de requisição e de empréstimo: diretamente nas plataformas de diálogo dos catálogos, por email, por telefone, por whatsapp, tornou-se possível percorrer virtualmente as estantes. Em “take away” ou entrega a domicílio, fizeram chegar os livros aos seus leitores.

Em suma, demonstraram às respetivas tutelas e às comunidades a firmeza do seu compromisso. Estamos aqui, disseram, e continuamos a trabalhar para todos.

Urge agora consolidar esta reconversão. O trabalho realizado no último ano não deixou de estar dependente de uma certa dose de improviso, muita força de vontade e uma fé inabalável na missão da Biblioteca Pública. Mas o mundo não voltará a ser como dantes. A vida quotidiana foi inundada pelo digital e é necessário capacitar os profissionais das Bibliotecas com as competências necessárias para responderem de forma adequada às necessidades – também elas em transformação – da sociedade.

Se a formação inicial e contínua já vinha pecando por insuficiência, corre agora o risco de pecar também por desadequação. Sem descurar a formação técnica, novas competências emergem como necessárias: utilização de ferramentas criativas e de produção de conteúdos multimédia; gestão de redes sociais; criação e gestão de serviços bibliográficos e de referência online; acesso e utilização de ferramentas de pesquisa em repositórios e bases de dados especializadas e credíveis; marketing digital, são algumas das áreas a ter em conta. Neste ponto, a interação e cooperação com os colegas das Bibliotecas do ensino superior pode ser muito profícua e enriquecedora para ambas as partes.

Acreditamos, por isso, que este é o caminho a seguir: formar, informar, capacitar, para que possamos continuar a estar disponíveis, à altura dos desafios, e sempre presentes na vida das nossas comunidades. Estamos aqui, estamos disponíveis, somos Bibliotecas Públicas.

O Grupo de Trabalho das Bibliotecas Públicas

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