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A tradução de experiências emancipatórias de cuidado

Publicado em: A tradução de experiências emancipatórias de cuidado


Comentário: Boaventura de Sousa Santos (CES)



Apresentação

No campo da psiquiatria e saúde mental, as operações de tradução de experiências emancipatórias surgidas em contextos localizados têm sido decisivas na construção de formas de cuidado baseadas nos direitos dos sujeitos psiquiatrizados. É o caso da Reforma Psiquiátrica Brasileira, “processo social complexo” que tomou a Psiquiatria Democrática italiana como referência epistémica principal, mas produziu dispositivos e conceitos originais. É também o caso do Mad Movement da América do Norte que, procedendo a traduções múltiplas, das epistemologias dos povos americanos originários aos vários movimentos de luta pelos direitos civis, tem tido um papel crucial na valorização crescente dos “saberes baseados na experiência” e na recente centralidade das “abordagens terapêuticas baseadas nos direitos”.    

A partir destas duas experiências históricas, proponho revisitar o conceito de “tradução”, tal como ele é articulado pelas Epistemologias do Sul, com o objetivo de densificar a grelha de análise histórica e dinamizar a co-construção de metodologias de intervenção política no campo da saúde. Para isso, mobilizarei igualmente propostas recentes dos Mad Studies, nomeadamente as reflexões em torno das articulações entre identidade e universalidade; e dos Estudos Críticos da Ciência, tal como a análise genealógica dos “sistemas de tradução” e a ideia de “matriz epistemológica-ontológica-ética”.

Nota biográfica

Tiago Pires Marques | Investigador Principal FCT no CES desde 2019; integra a linha temática Risco(s), ecologias, saúde. No seu doutoramento, realizado no Instituto Universitário Europeu de Florença, investigou as transformações dos sistemas penais em contextos de construção de regimes fascistas (v. ‘Crime and the Fascist State’, Routledge, 2016). Desde 2008, tem estudado a construção dos saberes psi (psiquiatria, psicologia e psicanálise) e a “fabricação do psiquismo”, na interseção entre história da ciência e história das religiões. Investigador no CES desde 2014, desenvolve a sua investigação sócio-histórica sobre a saúde mental, estendendo o campo de observação à contemporaneidade. Atualmente investiga a história dos modelos de saúde mental na sua relação com a medicalização da vida e com a história dos direitos humanos. Interessa-se especialmente pelos saberes, propostas políticas e alternativas à psiquiatria produzidas pelos movimentos de utentes no campo da psiquiatria.

Fonte: A tradução de experiências emancipatórias de cuidado
Feed: Centro de estudos Sociais – Eventos
Url: www.ces.uc.pt

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